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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Eu só queria um espresso

Não se assustem com o tamanho do post. A primeira parte é sobre o café Sorrentino e a outra é uma terapia virtual de grupo. Resolvi colocar tudo junto pra ver se eu forçava todo mundo a ler a terapia / pesquisa de opinião. Então leiam! E escrevam!

Admiro a adaptabilidade das pessoas a outras pessoas, a lugares, a situações e, principalmente, a barulhos. Quando o desafio diário é gastar grande parte do tempo no centro de Florianópolis, a adaptação ao último item é mais que um rito de sobrevivência, é quase uma arte. Em meio a “corte cabelo com profissional”, “câmbio-dólar”, “cartão telefônicooo” e “compro e vendo ouro, pago bem no ouro” a mínimos 100 decibéis, nada melhor que um café, num ambiente agradável, onde você possa sentar longe dessa gritaria e relaxar, não? Não. Pelo menos não no Sorrentino Cafés e Doces.

Depois da barriga forrada por um punhado de sushis do restaurante meia boca perto da Praça XV (outra história), meu bom humor estava garantido pelas próximas horas. Nem mesmo dar de cara com a porta fechada da bilheteria do TAC abalou meu espírito Poliana. Se eu tinha que matar meia hora pra comprar o ingresso pro Dominguinhos (valeu a espera, o show foi sensacional), que isso fosse regado pelo menos por um café. Fui até o tradicional café Sorrentino, na rua entre o Banco do Brasil e a Catedral, porque as mesinhas num estilo trenzinho nos degraus da escada me pareceram muito simpáticas e eu resolvi apostar.

Era 12h30 e o café, que também serve PF estava cheio. Fiquei no balcão esperando pra ser atendida e quando se dignaram a fazer isso, pedi meu espresso puro pequeno (R$1,75). O cara que me atendeu (que parecia o dono) fez isso ao mesmo tempo em que falava ao telefone, a coisa mais irritante do mundo depois das pessoas que ouvem música no ônibus sem fones de ouvido. Meu simples espresso demorou 10 cronometrados minutos pra chegar à mesa do segundo degrau. O café Segafredo estava bom, forte e na temperatura certa, mas o ambiente não poderia ser pior. Tomar café ao som de “Desce dois almoços completos e um meio” não é o que eu considero uma boa fuga dos barulhos inconvenientes do centro.



* “Eu só queria um espresso” foi uma referência ao excelente “Eu só queria jantar”, blog pro qual o crítico Luiz Américo escreve no Paladar, do Estadão e que merece ser visitado e revisitado e revisitado.


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Então povo, a democracia é (quase) sempre a melhor forma de resolver as coisas. O blog está ganhando mais leitores a cada dia, e eu até me surpreendi com pessoas que eu nem conheço escrevendo e-mails e deixando scraps no orkut (pessoa desconhecida que deixou o scrap, eu não sou metida, o recado sumiu misteriosamente e eu não pude responder, se manifeste de novo!). Nessas trocas de ideia, sempre surge um “o blog ta muito legal, mas...”, o que é ótimo que vocês falem, pra não me deixar fazendo besteira demais por aqui sem que ninguém avise. Bom, vamos ao que interessa, que é o que precisa melhorar por aqui. Então conto com a ajuda de vocês pra me falar por comentário, e-mail, orkut, twitter ou qualquer outro meio de comunicação viável e conhecido, sobre as seguintes questões:

- fotos (mais e melhores): sei que o apelo visual é importantíssimo quando se fala em comida. A minha condição amadora às vezes deixa isso a desejar, tanto na aptidão pra tirar fotos quanto na lembrança de que eu agora escrevo para um blog e devo andar com uma câmera a tiracolo.

- ícones: isso tem que ter mesmo. Era uma ideia que tinha desde a criação, mas que fui deixando passar e que o Duda fez muito bem em relembrar nos comentários. No próximo post pretendo começar com eles, e colocá-los também nos post anteriores. Me cobrem.

- textos longos: eu adoro. Muita gente que passa por aqui também gosta. O Norberto disse que acha que eles têm que ser menores e quase me convenceu. Espero que vocês me convençam do contrário, pra eu continuar com a mania de falar demais, como nesse post aqui mesmo. Acho que aqui a solução pra quem não tem tempo é recorrer aos ícones e me deixar ser egoísta e feliz escrevendo descontroladamente. O que vocês acham?

- referências a outros blogs: um ponto importante pra fazer amiguinhos e divulgar o meu trabalho. O problema é que esse template (que eu peguei pronto, óbvio) não tem espaço pra links dos blogs que eu visito. Alguém se disponibiliza a ajudar uma analfabeta?

- dicas supimpas: vou largar de vez em quando uns drops de coisas legais pra vocês visitarem, como o blog do Luiz Américo que eu falei hoje, e que realmente vale a pena conferir.

- referências a pessoas e delongas: bom, a história do Ivan, e que o Daniel falou também. Por que eu falo tanto das pessoas e de mim? Isso é chato? Acho simpático. O Daniel acha que eu sou preguiçosa e que essa é a maneira mais fácil de escrever. Desconfio que ele tem razão.

- e a comida?: crítica do Joaquim, que diz que eu falo pouco sobre a comida em si. Primeiro acho que não sou gabaritada o suficiente pra falar com autoridade, e depois sou alguém que gosta de escrever também sobre todas as outras impressões. Me convençam de que o Joaquim é um cozinheiro chato que quer ouvir falar só sobre comida e não sobre o lugar, o atendimento, o preço...

Esqueci de alguém que falou alguma coisa? Enfim, quero que vocês me dêem esse feedback. Se vocês se deram ao trabalho de ler até aqui, não sejam sacanas com o tempo de vocês e façam valer. Comentem, digam o que acham, critiquem, mas não esqueçam também de elogiar!

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

(muitos) Altos e (um) baixo na Confraria do Grão

Alguns lugares despertam sensações que vão além do sabor da comida. Lembram momentos, pessoas, cheiros. A Confraria do Grão é um desses refúgios que eu não me canso de ir, apesar de achar que deveria visitar mais, já que fica bem pertinho do trabalho, na Felipe Schmidt, e eu passo em frente todos os dias. Mas como impressões pessoais são pessoais e as sensações variam, vamos deixar os momentos, pessoas e cheiros de lado e partir para o efeito nas papilas gustativas. Elas costumam não se decepcionar na Confraria do Grão, ao contrário de hoje.
Depois de ter forrado a barriga com duas esfihas deliciosas da Dona Sandra às 6h30 da manhã e passado com o estômago vazio até o meio-dia, era mais do que hora de almoçar honestamente. Encontrei a Corinha e decidimos ir nesse café simpático, com uma decoração lindinha e bom atendimento, provar as omeletes que eu já tinha ficado de olho há algum tempo. Minhas incursões à Confraria do Grão tinham sido muito boas até então, seja pra tomar um Espresso Latte Médio (R$ 3,00) ou um deliciosamente calórico Café Tricolore (um espresso que leva leite condensado, chocolate e espuma de leite e custa R$ 6,50). Ou ainda me jogar no Capuccino Ice (R$ 5,50) mais delicioso que eu já tomei, acompanhado de uma quiche de tomate seco e ricota (R$ 3,00) que eu tentei reproduzir em casa, mas não ficou tão boa quanto a de lá.


Foto de divulgação - Café Espresso Latte

Já sustentando uma relação duradoura e de confiança (funciona mais ou menos como os relacionamentos) baseada nas experiências anteriores, resolvi apostar nas tais omeletes e levei a Cora pra apresentá-la ao lugar, depois de uma boa propaganda. Devidamente acomodadas nas confortáveis poltroninhas vermelhas, pedimos duas porções de omelete La Creme (queijo branco e peito de peru, a R$ 7,90) e dividimos uma lata de Coca Zero (R$ 2,80). O papo corria solto quando eu me dei conta que tinham passado 25 minutos e nada de chegar o pedido. Perguntei à garçonete, peça importantíssima nessa relação, se ainda iria demorar e ela respondeu que “omeletes eram demoradas pra fazer mesmo”. Respirei fundo e esperei pacientemente pelos cinco minutos que ela pediu. As porções muito justas de omeletes, duas pra cada uma, acompanhadas de uma folha de alface (que pra mim foi só decorativa mesmo, já que a omelete esquentou a alface e ela ficou murcha) chegaram com uma aparência apetitosa. Mas como quem vê cara não vê coração, ao contrário da aparência, elas estavam pra lá de salgadas. Mandamos ver mesmo assim, revezando omelete e Coca Zero pra dar uma enganada. Depois de extrapoladas as taxas de sódio na corrente sanguínea, deixei a Cora sozinha experimentando um tentador combo de Café Trufado com bolo de chocolate. Paguei meus R$ 10,70 e saí correndo atrasada pra trabalhar, acreditando que a minha relação sofreu apenas um pequeno estremecimento, mas que em breve devemos fazer as pazes com um Mochaccino ou quem sabe um Café Amarula.


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