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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Domingueira no Tamarutaca

Tamarutaca é um crustáceo muito feio que vive no fundo do mar. Quem me contou isso foi o Google, quando recorri a ele para encontrar o endereço do restaurante que leva o mesmo nome do tal bicho e fica na Barra da Lagoa. Domingo de sol é dia de sair para almoçar com a família. Formada a caravana, fomos conferir se o Tamarutaca é tudo isso que eu já ouvi falar de muitos dos meus leitores.

O restaurante fica na estrada da Fortaleza da Barra e estava cheio quando chegamos, pelas 13h da tarde. Esperamos poucos minutos até vagar uma mesa para oito pessoas e logo passamos aos pedidos, já que a fome era grande. Já tinha ouvido falar do Camarão ao Catupiry (R$85,80 para três pessoas) de lá, a especialidade da casa. O primeiro prato estava decidido. A segunda escolha foi o Congrio à Belle Meunière (R$69,80). Para a cunhada Bianca e o concunhado (ainda se usa essa palavra?) Pedro, que combinam até na alergia ao camarão, a opção foi o Linguado ao molho de dois queijos (R$64,80).

Para abrir o apetite, pedimos uma porção de camarão à milanesa (R$ 29,80). O empanado
estava delicioso: sequinho, crocante, lisinho. Deu até pra perdoar a pouca variedade de cervejas que o restaurante oferecia no dia (somente Skol e Bohemia).


Camarão à milanesa

Apesar do movimento intenso, não demorou muito para os pratos chegarem (nem tão demorados que cansem o cliente, nem tão rápidos que pareça que já estão prontos é o lema). O camarão refogado na manteiga veio encoberto pelo molho ao sugo com catupiry, acompanhado de arroz e batata palha (podiam caprichar mais no acompanhamento, né? Batata palha eu como em casa). O camarão...tão simples e tão divino. Temperos no ponto certo, ponto de cozimento também. Não estava borrachento, e tinha um sabor incrível, que não se perdeu em meio ao molho. Sim, é mesmo tudo o que tinham me falado.


O camarão ao catupiry

A segunda boa surpresa ficou por conta do congrio grelhado, coberto com camarão, alcaparras e champignon e acompanhado de arroz e batata sauté. Eu sou apaixonada por manteiga, champignon e alcaparras, logo, suspeita pra falar. Mas estava delicioso, o que foi confirmado pelo restante da mesa. O pessoal ficou em dúvida se elegia o congrio ou o camarão ao catupiry como o preferido do almoço.


Congrio à belle meunière


Aproveitei e também dei uma beliscada no linguado ao molho de dois queijos. Também estava muito gostoso, com sabor delicado.


Linguado aos dois queijos

O atendimento também foi muito simpático. Para os clientes que não dispensam o cafezinho ao final da refeição, eles trazem uma garrafa térmica e um potinho de biscoitos, como se estivéssemos em casa. Ao final, fomos embora com R$ 75 por casal a menos no bolso, mas com a certeza da volta breve!

Preço: $$$
Atendimento: ☺☺☺☺☺
Momosidade (casal): ♥♥
Aceita cartão de crédito / débito


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terça-feira, 21 de setembro de 2010

O que esperar da Fenaostra


Outubro está chegando e com ele todas as tradicionais festas de Santa Catarina. À parte da alucinação alcoólica de festas como a Oktober, Floripa recebe a Fenaostra. A Festa Nacional da Ostra e da Cultura Açoriana acontece todo ano desde 1999. Esta edição vai de 22 a 31 de outubro, no Centrosul. O lançamento aconteceu na semana passada, eu fui conferir e agora conto aqui pra vocês como foi e o que podemos esperar.

O evento de lançamento aconteceu na última quarta-feira (15), no Lira Tênis Clube, no Centro. Antes que alguém fique se perguntando, ninguém me pagou pra escrever, nem fui comprada por meia dúzia de ostras, eu juro. Cheguei atrasada e não acompanhei o desfile das candidatas a rainha e princesas (ahh, que pena!).

Em compensação, todas as mesinhas já estavam montadas, cada uma com a sua especialidade, prontas para a degustação. Tentei comer uma porção de cada coisa, para experimentar toda a variedade de pratos. Deixei de lado os clássicos in natura, ao bafo e gratinada e parti para as novidades.

Comecei pela ostra defumada, para abrir o apetite. Pra quem não conhece, é uma delícia. Lá, era servida em palitinhos pra degustação. Eu provei há um tempo a panqueca de ostras defumadas da Spaghetteria Santo Antônio e recomendo imensamente (mas a Spaghetteria não está na Fenaostra, tem que ir conferir em Santo Antônio de Lisboa. Aqui abaixo coloquei a lista dos participantes. Acredito que nem todos os listados estavam no lançamento).

Chegou a vez da Tapioca de ostras, da Tapioca Sul Brasil. Foi uma das porções preferidas da noite. A Tapioca vinha temperada com vinagrete suave e ostra ao bafo. Recomendo muito pra quem quiser provar algo diferente na festa.

Parti então para o macarrão com ostras, alho, brócolis e cebolinha, do Fratellanza. Não sei se foi a correria do evento (mas na festa com certeza vai ter muito mais gente), mas as ostras estavam frias. Foram pré-cozidas e acho que não deu tempo de esquentar junto com o macarrão. O macarrão também estava sem sal, mas al dente.

Do ladinho ficava a paella de ostras (tradicional, com direito a frango, porco, marisco, lula e tudo mais). Para mim, não foi a grande atração da noite. Acho que esse tipo de comida em larga escala compromete muito a qualidade. O prato é de um restaurante que ainda vai ser lançado aqui na capital e curiosamente não está na listinha dos participantes. Depois de uma dose de cachaça Mocotinha, dei sequência à saga.

O destaque da noite ficou por conta do crepe de ostras da Crepes Mania. O crepe tipo francês era recheado com ostra ao bafo, queijo e manjericão. Não tem como dar errado. Estava delicioso, com a ostra cozida na medida certa, sem ficar borrachenta, nem despedaçando. Foi o melhor da noite, com certeza.

Ao lado do crepe, destaque para o pastel de ostras do Estação 261. Acho que foi um dos que mais agradou o público e a mim também. Colo aqui abaixo a receita do recheio, disponibilizada pelo chef Fernando Gomes:

Receita de Pastel de Ostra à moda do Chef
6 ostras picadas
50 g de mussarela ralado
15 g de rockfort
1/4 de cebola brunoise (cortada em cubinhos pequenos)
30 g de cream cheese
1/2 limão galego
Modo de preparo:
Grelhe as cebolas e adicione a ostra picada, o cream cheese e o limão. Deixe esfriar. Acrescente o queijo e recheie o pastel.


Terminei o itinerário provando a Ostra combinada da Casa do Peixe. Nada mais era que um fundinho de mandioquinha, com ostra gratinada por cima. A promessa era de ser uma delícia, mas não agradou. O sabor adocicado da mandioquinha se sobressaiu demais e acho que naquela altura dos acontecimentos eu não estava tão disposta a comer mais ostras.

Não consegui provar todos os pratos, já que alguns acabaram antes de eu terminar o circuito. Ouvi falar muito bem do escondidinho de ostras e camarão do Galpão Pegorini. Também fiquei sabendo que o Freguesia vai servir novamente esse ano o já tradicional estrogonofe de ostras. Já provei no restaurante e garanto que é um dos melhores pratos que a Fenaostra oferece. Abaixo coloco uma foto de divulgação. Não esperem que a apresentação, na loucura da Festa, seja a mesma.

Foto: Sérgio Vignes/ Abrasel SC


Enfim...acabei me alongando no post pra dar conta de falar de todas as iguarias. Tenho minhas ressalvas quanto à Fenaostra. Acho caro pagar R$ 5 para entrar, R$ 10 de estacionamento e uma média de R$ 12 por meia dúzia de ostras ao bafo, por exemplo. Mas vale a pena conferir as dicas de coisas diferentes, como o crepe, a tapioca, ou o estrogonofe. Pra quem não conhece, a festa é bem família, no pavilhão do Centrosul, com direito a todo mundo falando ao mesmo tempo, filas e feirinha de artesanato. Pode ser um bom programa de domingo.

Pra ter uma ideia da vibe Fenaostra (foto da edição 2009)

Lista dos participantes:
Quiosques:
• Tapioca Sul Brasil
• Fratelli
• Crepes Mania
• Cachaça Mocotinha
Restaurantes:
• Rancho Açoriano
• Freguesia;
• Fratellanza
• Casa das Tortas
• Ostras e Ostras Coisas
• Casa do Peixe
• O Galpão Pegorini
• Ostradamus
• Estação 261
• Domini
• Ostras na Ilha
• Tens Tempo Café
Participam também as associações de maricultores AMAQUAI, Rede Rosa, AMANI e ASIMAR.


Aqui no site oficial vocês encontram toda a programação de atrações, shows etc.

Aviso aos xaropes de plantão: sei que muitos consideram uma heresia qualquer coisa que não seja ostra in natura. Aqui optei por falar também de outras preparações. E é só isso. Não estou pregando a revolta do queijo sobre a ostra, apenas mostrando outras possibilidades.


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sexta-feira, 23 de julho de 2010

Menos é mais no Vadinho

Juro pra vocês que eu fiquei envergonhada de nunca mais dar as caras e já estava decidida a parar de escrever de vez. Foi então que acessei o Analytics e percebi que vocês são uns fofos que não deixam de entrar aqui, mesmo eu sendo a blogueira mais relapsa do mundo. Isso sensibilizou meu coraçãozinho e vou tentar, com todas as minhas forças, atualizar mais frequentemente.

Sei que isso já está parecendo a história do menininho e do lobo (alguém lembra disso? A tia da escola contava na tentativa frustrada de me impedir de mentir descaradamente. Pra quem não se atinou, a dica é Google: “O menino e o lobo”). Mas agora que faculdade, TCC e formatura são termos banidos do meu dicionário (pelo menos por um tempo), acho que tudo vai ficar mais fácil.

A propósito, apresentei o TCC que tinha falado pra vocês, tirei 10 e agora sou uma jornalista formada, por mais que isso não queira dizer muito nos tempos de hoje. Em breve, assim que corrigir uns detalhes observados pela banca, disponibilizo aqui para vocês.

Muito tempo se passou, conheci alguns lugares, voltei a outros, comi, bebi, conheci gente bacaninha e veio a questão: falar de quem nessa volta triunfal? Por fim, decidi escrever sobre um lugar excelente e barato, que está fora do mainstream gastronômico florianopolitano: o Restaurante do Vadinho. Algumas pessoas já tinham me pedido para escrever sobre ele. Para compensar o meu descaso, aqui vai o post, para os sobreviventes do lado de lá:


É preciso vencer uma série de outros restaurantes mais vistosos e mais famosos (como o Arantes) até chegar ao último deles, no final da orla do Pântano do Sul. Estacionamento é algo que não existe. As pessoas geralmente deixam o carro ali mesmo na areia, entrando no clima “terra sem lei” do sul da Ilha, até que a ressaca nos expulse.

O Bar do Vadinho (valeu pela correção, Xexéu!) não tem cardápio. A comida é a mesma para todos, todos os dias: peixe da época (agora é tainha) em postas e/ou filé, pirão, salada, arroz, feijão, batata frita e a saborosíssima estopa – um desfiado de cação e arraia molhadinho e com um tempero maravilhoso, que é de comer de joelhos.


Tudo isso e muito mais por R$ 18

Segundo o próprio Lourival João Perão, o Vadinho, ex-pescador e dono do restaurante, ali se encontra a autêntica comida caseira do Pântano, um dos lugares mais manezinhos da ilha. Por módicos R$ 18 por pessoa (o preço é o mesmo para todos), come-se à vontade e de quebra dá para apreciar os quadros expostos nas paredes, produzidos com conchas e outros materiais, de autoria do próprio Vadinho.


Quadros do Vadinho, feitos com conchas e materiais rústicos

Se os clientes não se derem por satisfeitos com a primeira rodada de comida, o dono do restaurante e outros quatro garçons repõem as porções nas 19 mesas lotadas do restaurante. Eu e o Geison jogamos a toalha logo no primeiro round, com comida muito bem servida e de sabor espetacularmente simples.

O restaurante, que antigamente abrigava a venda do seu João Manuel Inácio, pai do Vadinho, abre todos os dias, dia e noite, durante a alta temporada. De abril a novembro, o almoço é servido aos fins de semana e feriados.

A dica é chegar cedo para garantir lugar. Se no tempo do seu João Manuel o destaque era o único gramofone da região, que fazia a venda ficar apinhada de gente, hoje é a comida que sai da cozinha de Vadinho que atrai turistas e moradores de Florianópolis em busca de uma refeição simples e saborosa.

Preço: $
Atendimento: ☺☺☺☺☺
Momosidade (casal): ♥
Aceita cartão de crédito / débito


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sexta-feira, 14 de maio de 2010

Pra não dizer que não falei do Brasil Sabor

Eis que, como Freddy Krueger, eu volto das cinzas pra mais um post. Todos têm razão em me xingar por ficar tanto tempo sem postar nada aqui e acho que muita gente desistiu pelo caminho. O negócio é que isso aqui começou como uma brincadeira que está dando certo. Fui chamada pra fazer uns freelas por causa do blog e ele também foi o grande encorajador do meu TCC, que eu ainda não contei pra vocês. Vai ser uma publicação de gastronomia, nos moldes da Revista Gosto (sou fã de carteirinha), com pautas de Floripa. Então, o que eu posso dizer é que estão rolando muitas entrevistas com gente boa de Floripa, que está fazendo alguma coisa pra levantar a moral da nossa cozinha. Depois que eu defender o trabalho, compartilho aqui com vocês, mas já posso adiantar que um TCC nunca foi tão gostoso (óbvio que tinha que ter um trocadilho infame). Ao post, leitores!

Apesar da correria toda da vida, não queria deixar o Brasil Sabor passar sem provar pelo menos um prato. A escolha foi direcionada totalmente pela distância entre a minha casa e o restaurante. Fomos então de Pitangueiras, um restaurante com uma vista privilegiada da Ponta do Sambaqui. A noite era fria e chuvosa, mas Sambaqui consegue ser bonita mesmo assim. Já tinha ido ao Pitangueiras na alta temporada, em um domingo, o que é sinônimo de no mínimo uma hora de espera entre o pedido e o prato na mesa. Desta vez, como fomos à noite, na baixa temporada, durante a semana, tivemos mais sorte com o movimento e também o privilégio de conversar um bocado com o Valentin, o mui simpático garçom que trabalha há anos por lá. Como estava friozinho, ficamos do lado de dentro e não curtimos o deck com a vista maravilhosa. Mas coloco aqui a foto deles pra vocês terem uma ideia.


Divulgação

O prato criado para o Brasil Sabor foi o Côngrio ao molho de siri (a receita vocês conferem aqui). Esse pedido já estava feito, nos restou apenas escolher a bebida. Como estávamos no Pitangueiras, nada melhor que uma caipira de pitanga. Valentin prontamente nos informou que foi ele o criador do drink e que, com o passar dos anos, abriu a opção de substituir a vodka pelo saquê. Saquerinha de pitanga, um luxo só! O saquê deixa a bebida bem leve, o que é um perigo pros mais fracos. Como não é o meu caso, mandei ver.



Depois de um tempinho de espera chega à mesa o côngrio grelhado ao molho de siri flambado, com creme de leite fresco, arroz e a delícia da noite: siri mole (R$ 59, para duas pessoas). o processo do siri mole é o seguinte: o pobre bicho é surpreendido pela crueldade humana quando vai trocar de casca. Ele é morto durante essa transição para poder chegar até nós inteiro, limpinho e mole. Passado o momento de compaixão (que durou dois segundos), nos deliciamos com a carne macia, saborosa e branquinha do siri empanado inteiro. Recomendadíssimo. Acho mesmo que ele rouba a cena do restante do prato. Gostei do côngrio, mas acho que pesaram um pouco a mão no tempero e ele perdeu espaço pro molho de siri. Mas comeria novamente sem pensar duas vezes. O up ficou por conta do molho de pimenta com manga do Brasil Sabor. Sou suspeita de falar sobre pimentas, já que eu adoro. Mas o Geison, que não é muito fã, não me deixa mentir. Pimenta muito saborosa e nada ardida, como deve ser.



Ao final da noite, pedimos a conta. Na contramão da exploração que geralmente se vê nos restaurantes daqui, o Pitangueiras não cobra taxa de serviço. Se você for bem atendido, contribui com o que acha justo. Como o atendimento foi excelente, com direito a explicação sobre drinks e aula sobre predação implacável de siris, nada mais justo que reconhecer o trabalho do nosso amigo Valentin. Entre conta e gorjeta, gastamos no total R$ 77,50. Detalhe importante: o festival acaba amanhã, mas não precisa correr pra não perder a chance de comer essa delícia. O prato fez tanto sucesso que vai entrar pro cardápio.

Preço: $$$
Atendimento: ☺☺☺☺☺
Momosidade (casal): ♥♥♥♥
Aceita cartão de crédito / débito
Estacionamento para carros e barcos (très chic!)


Serviço:
O Pitangueiras abre de quarta a segunda-feira, das 11:30 às 24:00.
(48) 3335.0398
http://www.restaurantepitangueiras.com.br/


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segunda-feira, 1 de março de 2010

Deck e a arte de reciclar morangas

Olá, povo! Como inovação é a palavra da moda e eu sou uma pessoa antenada (?), resolvi fazer uma ousadia neste humilde blog. Na verdade tudo é uma grande desculpa pra minha falta de tempo e dinheiro. Alguns bons amigos que, ou sabem escrever, ou sabem falar de comida, vão arriscar seus rabiscos por aqui, devidamente editados pela minha pessoa. Quem dá a largada é o Joaquim Dutra, meu grande amigo e grande cozinheiro, que vai falar um pouquinho da experiência no Deck. Lógico que eu não me aguentei e fiz uns comentários aleatórios e desnecessários ao longo do post (em parêntes, em itálico, assim desse jeito). Sem mais delongas, vamos ler e ver se o Joaquim se dá bem aqui, como se dá com as panelas:

Lá por meados de novembro passado recebi a visita de um querido amigo, que veio de Sampa para visitar a Ilha. Depois de uma noite frustrante no El Mexicano da Beiramar (realmente eles são muito inconstantes por lá...), a ideia era me redimir. Levei o Rafael a Santo Antônio de Lisboa, para aproveitar as belezas naturais e as maravilhas gastronômicas da região.

Estacionei em frente ao Deck Santo Antonio, um lindo restaurante, com um visual moderno e clean, segundo o Rafael. Para mim, um aquário chique, bonitão e aconchegante. Na porta, fomos muito bem recebidos pela hostess, que nos orientou sobre os ambientes do restaurante. Ao total são três: o primeiro, fora do Deck, com espreguiçadeira, cadeiras de madeira e uma vista fantástica para o mar; o segundo fica na parte de baixo do deck, mas não pude conferir, já que o Rafael me arrastou para o terceiro ambiente, que ficava na parte de cima.


O visú lá de cima, by Joaquim


Nos instalamos e como o dia quente pedia um chope, iniciei os trabalhos, disposto a deixar minhas mãos abertas e gastar o suficiente para que pudesse compensar a noite anterior. Em um piscar de olhos o garçom voltou com o meu chope geladíssimo e, para minha surpresa, era Schornstein, o melhor chope que eu já tive o prazer de tomar (estou perdendo tempo, ainda não provei. Se um cara que morou na Alemanha e tem um histórico de cevada como o Kim está falando, não tem discussão).

Até aí tudo corria bem. Bom atendimento, um preço razoável e um chope de qualidade e geladíssimo. Tanto que o Rafael não resistiu e acabou me acompanhando. Depois de três chopes para o time da casa contra dois para o visitante acabamos escolhendo um dos melhores aperitivos possíveis para um restaurante de frutos do mar: lula a dorê. Apesar de levemente moreninha, a lula estava macia e quentinha e o empanado crocante. Ponto para o Deck.


Lula a dorê, by Joaquim

Foi então que decidimos, por fim, qual seria o rango da noite. No clima de “desce mais um chopp”, acabei incentivando a opção do Rafael pelo camarão na moranga, sem saber do infantil acompanhamento: arroz com batata-palha. Me convencer foi fácil. Difícil foi esperar o garçom por mais de meia hora, com o restaurante vazio, as mãos abanando e barriga roncando.

Pedido feito, algo muito estranho pairou no Deck. O chope seguinte estava quente. Tive que pedir duas vezes para trocar, esperando pelo menos quinze minutos entre os pedidos. Enquanto a epopéia do chope, agora gelado, se encerrava, acompanhamos um leve barraco que aconteceu na mesa ao lado. Um senhor havia pedido um bobó e reclamava do camarão, que estava congelado no meio. Pra tentar me convencer, pensei “bobó é bobó, camarão na moranga é camarão na moranga” (como diria o poeta, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa completamente diferente. E vice-versa).

Quarenta minutos depois, uma mulher que parecia ser a chef nos trouxe o prato, pedindo desculpas pela demora. Naquele momento, estávamos famintos e gentilmente acolhemos os pedidos abanando a cabeça e acompanhando a modesta, mas satisfatória porção de arroz e batata-palha. Em seguida, do alto das mãos da chef, eis que surge ela, a moranga. (não temos fotos da dita cuja)

Pobre vegetal, murcho, feio, esfaqueado pelo lado de fora e, provavelmente, com algumas mesas anteriores no currículo. Ignorei a reciclagem, levando em conta a minha leve noção do funcionamento de um restaurante e da prática do “reaproveitamento” (essa galera nem pra contribuir com a economia local e comprar umas míseras morangas no Direto do Campo...).

Foi aí que a prova viva de que nem sempre a fome é o melhor tempero se manifestou. Estávamos pagando pouco mais de R$ 70 para comer um camarão com mingau de moranga. O creme estava ralo, sem sabor e empelotado, com sinais fortíssimos de ter sido engrossado com maisena. Me senti triste e roubado, e a contra gosto comemos sem reclamar na hora, cientes de que estávamos sendo enganados.

A conta foi na casa dos três dígitos, o atendimento foi bom enquanto durou e quem salvou meu dia foi a lula a dorê, o Schornstein gelado, o visual e a companhia do meu bom amigo. A prova viva de que outras máximas podem ser usadas sem medo. Bonitinho, mas ordinário, por exemplo.

Preço: $$$$
Atendimento: ☺☺
Momosidade (casal): ♥♥♥♥
Aceita cartão de crédito / débito


Serviço:
(48) 3234-0787


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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Ostras, Freguesia e Santo Antônio

Cá estou de volta, pra cumprir a promessa de falar sobre o Freguesia. Santo Antônio de Lisboa é dos lugares mais charmosos de Floripa e oferece um dos melhores roteiros gastronômicos da Ilha. Confesso que a praia está nos meus sonhos dourados de lugar pra se morar por aqui. Melhor ainda se isso incluir uma vista linda pra praia, com uma cervejinha de um lado e um prato de ostras do outro.


Divulgação

Enquanto não vou pra lá de mala e cuia, me contento em aproveitar uma noite deliciosa de primavera pra comer bem. Como todos tiveram a idéia de aproveitar a noite, eu e o Geison ficamos, a princípio, dentro do restaurante, enquanto esperávamos vagar um lugar do outro lado da rua, onde o pessoal instala as mesas e cadeiras de plástico e fica por ali, batendo um papo e comendo, entre o calçamento de paralelepípedo e o mar. Não demorou muito pra conseguirmos nosso lugar ao luar (tsc tsc). Tomando uma Original pra abrir o apetite, pedimos o prato do Bar em Bar: Ostras ao alho e óleo (R$ 17,50 a dúzia).



Depois de uns 15 minutos esperando e a fome aumentando, as ostras chegaram à mesa. Eles dizem que é uma dúzia, mas garanto que eram muitas mais. Vinham fora das conchas, imersas no alho e óleo, com um aroma que dava vontade de sair flutuando, igual nos quadrinhos. Devaneios à parte, hora de provar as ostras de um dos restaurantes mais movimentados de Santo Antônio. Se o cheiro já estava bom, o sabor conseguiu superar. Simplesmente deliciosas, com um gosto de alho na medida certa, sem se pronunciar demais. Dos pratos que fazem o cliente voltar ao restaurante e pedir mais. Aconselho que quem optar pelas ostras, mande descer também um acompanhamento. Ficamos só nelas, e pra matar a fome foi preciso pedir uma porção de isca de peixe espada, que estavam muito boas e sequinhas também. Nada daquela gordura escorrendo pelo guardanapo.

No fim da brincadeira, menos R$ 30 no bolso pra cada e a certeza que Santo Antônio ainda tem muito a render aqui por esse blog e fazer a alegria do paladar de muita gente.


Drops:

- de Santo Antônio devo um post sobre o Bar dos Açores, uma das grandes surpresas do ano pra mim. Virei fã, mas por enquanto só fui “não-profissionalmente” por lá.

- semana passada a Veja entregou as premiações do Veja Santa Catarina – Comer e Beber. Merece um post a parte. Estou pensando em fazer um tour baseado nos "melhores" e discutir isso aqui com vocês.

- falando em Veja, ontem conferi o Café Riso e etc, que ganhou na categoria Restaurante Variado e Chef do Ano, com o Vitor Gomes. Semana que vem tem post saindo do forno. À noite conferi a Samurai Temakeria do Santa Mônica, que também tá na fila.

- dívidas com vocês: devo uma visita ao Terra Brazilis, sugerida pelo Norberto; outra na Enoteca Osigo, sugerida pelo Orlando; devo mais alguma coisa pra alguém?

- não deixem o blog morrer. Pela primeira vez um post não recebeu nenhum comentário. Além do Google Analytics, que me ajuda a ver como isso aqui anda, os comentários são quase que a única fonte de feedback que eu tenho. Comentem!

Preço: $$$
Atendimento: ☺☺☺☺
Momosidade (casal): ♥♥♥♥♥
Não aceita cartão de crédito / débito
O Freguesia abre de quarta a segunda, das 11h às 23h30


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sábado, 21 de novembro de 2009

Boteco da Ilha no Bar em Bar

O Boteco da Ilha já é um lugar tradicional na vida boêmia de Floripa. Em uma cidade onde a taxa de mortalidade de bares e restaurantes é altíssima, o que é pra nós infância (7 anos), já é quase meia-idade quando se trata de sobreviver de comes e bebes.


Divulgação

Apesar de ter aportado em Floripa antes mesmo da fundação do Boteco, nunca tinha dado as caras por lá. Mas por força da maratona, da minha curiosidade e do prato promissor, resolvi conferir, mesmo enfrentando um dia de chuva. Devidamente equipada com meu amigo inseparável, o copo, deixamos o carro numa daquelas ruazinhas paralelas à Beiramar, à sorte do primeiro flanelinha que aparecesse. E eles sempre aparecem.

Eram cerca de 20h de uma sexta-feira e o bar já estava bem cheio, o que nos forçou a ficar do lado de dentro, esperando o restante do pessoal. O lugar não tem nada de mais, decoração OK, tudo simples, mas legal. Fomos atendidos pelo Alemão, o que ajudou e muito a construir uma boa imagem do lugar. Para fazer valer mais uma fichinha do Amigos do Copo, pedi um chopp da Brahma (R$ 3,30 – 300ml) e o Geison outro, que estavam longe do meu conceito de gelado (não acho que tenha que trincar o dente, até porque daí perde o sabor, mas minimamente geladinho tem que estar).

Resolvemos pedir logo para o Alemão agilizar o Bacalhau Imperial da Ilha (R$ 16, segundo eles, para uma pessoa), que era o peixe gratinado com provolone e massa folhada, aconchegadinho na cama de mussarela de búfala. Parece muito bom, né? E de fato estava. Só dispensaria a massa folhada, que com a umidade do peixe e do queijo fica um pouco molenga e, pra mim, não tem muita função quando se trata de um prato principal e não de uma empada, uma torta ou um strudel. Fora a minha implicância de praxe e as azeitonas decorativas (uó!), o prato estava realmente muito bom, com um tempero gostoso e suave. E se a idéia for comer civilizadamente, o prato satisfaz muito bem duas pessoas, e não somente uma, como eles anunciam.


Bacalhau Imperial da Ilha

Nesse meio tempo, pra nossa sorte ou azar, começou a música ao vivo. Já dizia o célebre filósofo que, em Florianópolis, o povo confunde música ao vivo com show: você senta pra beber como num bar e grita pra conversar como se estivesse em uma balada. O repertório do “show” era muito eclético (quando eu digo muito é no sentido de exageradamente). Vitor & Leo e Adriana Calcanhoto dividiam pacificamente o mesmo violão.

Entre fadas queridas e balas de prata, arriscamos uma segunda rodada de chopp, pra acompanhar os outros quatro amigos que chegaram, acreditando na promessa do garçom (que não era o Alemão) de que o segredo da temperatura estava em tirá-lo corretamente. Depois de comprovar que a promessa era furada, partimos para a cerveja mesmo.

Depois de algumas cervejas, muita música (muito alta), um bom atendimento, uma comida muito boa e um preço razoável (R$ 27 para cada), fomos embora, não sem antes reservar a cota de costume do flanelinha.

Preço: $$
Atendimento: ☺☺☺☺
Ruído/Música: ♫♫
Momosidade (casal): ♥
Aceita cartão de crédito / débito


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PS1: Última semana do Bar em Bar. Até agora fui em 6, ainda dá tempo de conferir mais. Próximo post: ostras ao alho e óleo no Freguesia.

PS2: Aproveitem o Festival de Coqueiros, acaba dia 29/11 também. Semana que vem vou dar uma conferida em pelo menos um dos restaurantes.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Depende do Ponto de Vista

Se existe alguma coisa que ainda me convence a ficar mais um pouco em Florianópolis é a possibilidade de enxergar cartões postais pela janela de casa, do ônibus, do trabalho, ou melhor, de um restaurante. Juro que eu não vou fazer mais trocadilhos infames com o Ponto de Vista, como o do título. Apesar de ser de noite, nada tira o charme da Lagoa da Conceição, principalmente quando se está bem acompanhado e com uma música excelente de fundo.

A música é o gancho pro primeiro conselho da noite: se esse post fizer você ficar com vontade de conferir o Ponto de Vista, faça isso em uma quarta-feira, dia em que a Rosa Martha canta e o Marcos Parucker toca no teclado lindas músicas francesas. Vale muito a pena. Tanto que eu desconfio que o movimento da noite, em grande parte (sem desmerecer o restante), era por conta dos dois, que arrancavam aplausos das mesas.

Quem é de Floripa já deve ter passado alguma vez nesse mirante, que fica logo depois da Galheta, em direção à Barra, à esquerda. Além do restaurante, funcionam ali também umas lojinhas de artesanato e roupas durante o dia. Mas o objetivo era mesmo comer, então deixamos o carro no amplo estacionamento que tem ali, sob a vigília de um funcionário e rumamos pro restaurante. Apesar da chuva, estava cheio, como eu disse antes, mas não a ponto de incomodar. Pegamos uma mesa na janela, com um bom ponto de vista (ok,não resisti...), ao som da linda voz da Rosa Martha. A luz muito baixa me incomoda um pouco, mas o Geison gostou, então talvez seja rabugentice minha.


Salão interno

Eu, como sempre, já tinha dado uma consultada no site e estava a par do cardápio e também dos preços, que eles disponibilizam (!). Pra iniciar os trabalhos, pedi um coquetel Vista da Lagoa (R$ 8), que levava Martini Bianco, Cointreau, pêssego e laranja e o Geison foi de Chopp Weisenbier da Eisenbahn (R$ 4,80 / 300ml). O coquetel era saboroso, começando com o gostinho da laranja e o pêssego se pronunciando só no finzinho, mas pra mim estava muito doce e eu acabei enjoando antes da metade.

Pra entrada, resolvemos pedir bolinhos de salmão com gengibre (essa opção não tem no cardápio online), que saiu R$ 12 por seis unidades. A expectativa foi maior que o sabor. Pra fazer a massa do bolinho frito o salmão teve que ser processado (não sei se é exatemente esse o termo) e o sabor se perdeu no meio. O gengibre então, só vi sinal na última mordida. É claro que ele não podia roubar a cena, mas você espera sentir um gostinho de gengibre num bolinho de salmão com...gengibre.


Coquetel Vista da Lagoa e bolinho de salmão com gengibre (pelo menos teoricamente)

A fome não era muita depois dos bolinhos, então chamamos o garçom (atendimento regular, não se pode reclamar nem elogiar) para pedir pra dividir uma porção individual de Congro Rosa com Camarão e Champignon (R$ 49,50). O filé era recheado com molho de manteiga, champingnon, camarão e vinho Chardonnay, e acompanhavam arroz e batata sautée. O molho estava excelente, com os camarões puxados na manteiga, no ponto certo, nem emborrachados, nem crus, acompanhados de uma das melhores invenções do Reino Fungi: o champignon.


Congro Rosa (escondido) com Camarão e Champignon

Achei que o peixe ficou um pouco apagado no meio de tantos sabores, mas quero acreditar que foi intencional. O meu critério aqui é parecido com o que pensa o chef Mario Batali, do italiano Babbo, de NY: se o prato principal é a massa (no caso, o congro), não deixe que ela perca espaço pro molho, afinal ela é a grande estrela. Li isso no excelente livro “Calor”, do jornalista e crítico Bill Buford, uma leitura gostosíssima sobre a incursão dele no universo da comida italiana, que eu recomendo muito.

Deixando o devaneio italiano pra lá, mas ali do ladinho da França, pelo menos no repertório musical, nos despedimos do Ponto de Vista, satisfeitos com a apresentação, mas achando o preço um pouco mais salgado que o congro.

*a foto do salão foi kibada do site e as dos pratos feitas pelo Geison Werner

Preço: $$$$
Atendimento: ☺☺☺
Ruído/Música: ♫♫♫♫♫
Momosidade (casal): ♥♥♥♥♥
Aceita cartão de crédito / débito


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