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segunda-feira, 1 de março de 2010

Deck e a arte de reciclar morangas

Olá, povo! Como inovação é a palavra da moda e eu sou uma pessoa antenada (?), resolvi fazer uma ousadia neste humilde blog. Na verdade tudo é uma grande desculpa pra minha falta de tempo e dinheiro. Alguns bons amigos que, ou sabem escrever, ou sabem falar de comida, vão arriscar seus rabiscos por aqui, devidamente editados pela minha pessoa. Quem dá a largada é o Joaquim Dutra, meu grande amigo e grande cozinheiro, que vai falar um pouquinho da experiência no Deck. Lógico que eu não me aguentei e fiz uns comentários aleatórios e desnecessários ao longo do post (em parêntes, em itálico, assim desse jeito). Sem mais delongas, vamos ler e ver se o Joaquim se dá bem aqui, como se dá com as panelas:

Lá por meados de novembro passado recebi a visita de um querido amigo, que veio de Sampa para visitar a Ilha. Depois de uma noite frustrante no El Mexicano da Beiramar (realmente eles são muito inconstantes por lá...), a ideia era me redimir. Levei o Rafael a Santo Antônio de Lisboa, para aproveitar as belezas naturais e as maravilhas gastronômicas da região.

Estacionei em frente ao Deck Santo Antonio, um lindo restaurante, com um visual moderno e clean, segundo o Rafael. Para mim, um aquário chique, bonitão e aconchegante. Na porta, fomos muito bem recebidos pela hostess, que nos orientou sobre os ambientes do restaurante. Ao total são três: o primeiro, fora do Deck, com espreguiçadeira, cadeiras de madeira e uma vista fantástica para o mar; o segundo fica na parte de baixo do deck, mas não pude conferir, já que o Rafael me arrastou para o terceiro ambiente, que ficava na parte de cima.


O visú lá de cima, by Joaquim


Nos instalamos e como o dia quente pedia um chope, iniciei os trabalhos, disposto a deixar minhas mãos abertas e gastar o suficiente para que pudesse compensar a noite anterior. Em um piscar de olhos o garçom voltou com o meu chope geladíssimo e, para minha surpresa, era Schornstein, o melhor chope que eu já tive o prazer de tomar (estou perdendo tempo, ainda não provei. Se um cara que morou na Alemanha e tem um histórico de cevada como o Kim está falando, não tem discussão).

Até aí tudo corria bem. Bom atendimento, um preço razoável e um chope de qualidade e geladíssimo. Tanto que o Rafael não resistiu e acabou me acompanhando. Depois de três chopes para o time da casa contra dois para o visitante acabamos escolhendo um dos melhores aperitivos possíveis para um restaurante de frutos do mar: lula a dorê. Apesar de levemente moreninha, a lula estava macia e quentinha e o empanado crocante. Ponto para o Deck.


Lula a dorê, by Joaquim

Foi então que decidimos, por fim, qual seria o rango da noite. No clima de “desce mais um chopp”, acabei incentivando a opção do Rafael pelo camarão na moranga, sem saber do infantil acompanhamento: arroz com batata-palha. Me convencer foi fácil. Difícil foi esperar o garçom por mais de meia hora, com o restaurante vazio, as mãos abanando e barriga roncando.

Pedido feito, algo muito estranho pairou no Deck. O chope seguinte estava quente. Tive que pedir duas vezes para trocar, esperando pelo menos quinze minutos entre os pedidos. Enquanto a epopéia do chope, agora gelado, se encerrava, acompanhamos um leve barraco que aconteceu na mesa ao lado. Um senhor havia pedido um bobó e reclamava do camarão, que estava congelado no meio. Pra tentar me convencer, pensei “bobó é bobó, camarão na moranga é camarão na moranga” (como diria o poeta, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa completamente diferente. E vice-versa).

Quarenta minutos depois, uma mulher que parecia ser a chef nos trouxe o prato, pedindo desculpas pela demora. Naquele momento, estávamos famintos e gentilmente acolhemos os pedidos abanando a cabeça e acompanhando a modesta, mas satisfatória porção de arroz e batata-palha. Em seguida, do alto das mãos da chef, eis que surge ela, a moranga. (não temos fotos da dita cuja)

Pobre vegetal, murcho, feio, esfaqueado pelo lado de fora e, provavelmente, com algumas mesas anteriores no currículo. Ignorei a reciclagem, levando em conta a minha leve noção do funcionamento de um restaurante e da prática do “reaproveitamento” (essa galera nem pra contribuir com a economia local e comprar umas míseras morangas no Direto do Campo...).

Foi aí que a prova viva de que nem sempre a fome é o melhor tempero se manifestou. Estávamos pagando pouco mais de R$ 70 para comer um camarão com mingau de moranga. O creme estava ralo, sem sabor e empelotado, com sinais fortíssimos de ter sido engrossado com maisena. Me senti triste e roubado, e a contra gosto comemos sem reclamar na hora, cientes de que estávamos sendo enganados.

A conta foi na casa dos três dígitos, o atendimento foi bom enquanto durou e quem salvou meu dia foi a lula a dorê, o Schornstein gelado, o visual e a companhia do meu bom amigo. A prova viva de que outras máximas podem ser usadas sem medo. Bonitinho, mas ordinário, por exemplo.

Preço: $$$$
Atendimento: ☺☺
Momosidade (casal): ♥♥♥♥
Aceita cartão de crédito / débito


Serviço:
(48) 3234-0787


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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Eu só queria um espresso

Não se assustem com o tamanho do post. A primeira parte é sobre o café Sorrentino e a outra é uma terapia virtual de grupo. Resolvi colocar tudo junto pra ver se eu forçava todo mundo a ler a terapia / pesquisa de opinião. Então leiam! E escrevam!

Admiro a adaptabilidade das pessoas a outras pessoas, a lugares, a situações e, principalmente, a barulhos. Quando o desafio diário é gastar grande parte do tempo no centro de Florianópolis, a adaptação ao último item é mais que um rito de sobrevivência, é quase uma arte. Em meio a “corte cabelo com profissional”, “câmbio-dólar”, “cartão telefônicooo” e “compro e vendo ouro, pago bem no ouro” a mínimos 100 decibéis, nada melhor que um café, num ambiente agradável, onde você possa sentar longe dessa gritaria e relaxar, não? Não. Pelo menos não no Sorrentino Cafés e Doces.

Depois da barriga forrada por um punhado de sushis do restaurante meia boca perto da Praça XV (outra história), meu bom humor estava garantido pelas próximas horas. Nem mesmo dar de cara com a porta fechada da bilheteria do TAC abalou meu espírito Poliana. Se eu tinha que matar meia hora pra comprar o ingresso pro Dominguinhos (valeu a espera, o show foi sensacional), que isso fosse regado pelo menos por um café. Fui até o tradicional café Sorrentino, na rua entre o Banco do Brasil e a Catedral, porque as mesinhas num estilo trenzinho nos degraus da escada me pareceram muito simpáticas e eu resolvi apostar.

Era 12h30 e o café, que também serve PF estava cheio. Fiquei no balcão esperando pra ser atendida e quando se dignaram a fazer isso, pedi meu espresso puro pequeno (R$1,75). O cara que me atendeu (que parecia o dono) fez isso ao mesmo tempo em que falava ao telefone, a coisa mais irritante do mundo depois das pessoas que ouvem música no ônibus sem fones de ouvido. Meu simples espresso demorou 10 cronometrados minutos pra chegar à mesa do segundo degrau. O café Segafredo estava bom, forte e na temperatura certa, mas o ambiente não poderia ser pior. Tomar café ao som de “Desce dois almoços completos e um meio” não é o que eu considero uma boa fuga dos barulhos inconvenientes do centro.



* “Eu só queria um espresso” foi uma referência ao excelente “Eu só queria jantar”, blog pro qual o crítico Luiz Américo escreve no Paladar, do Estadão e que merece ser visitado e revisitado e revisitado.


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Então povo, a democracia é (quase) sempre a melhor forma de resolver as coisas. O blog está ganhando mais leitores a cada dia, e eu até me surpreendi com pessoas que eu nem conheço escrevendo e-mails e deixando scraps no orkut (pessoa desconhecida que deixou o scrap, eu não sou metida, o recado sumiu misteriosamente e eu não pude responder, se manifeste de novo!). Nessas trocas de ideia, sempre surge um “o blog ta muito legal, mas...”, o que é ótimo que vocês falem, pra não me deixar fazendo besteira demais por aqui sem que ninguém avise. Bom, vamos ao que interessa, que é o que precisa melhorar por aqui. Então conto com a ajuda de vocês pra me falar por comentário, e-mail, orkut, twitter ou qualquer outro meio de comunicação viável e conhecido, sobre as seguintes questões:

- fotos (mais e melhores): sei que o apelo visual é importantíssimo quando se fala em comida. A minha condição amadora às vezes deixa isso a desejar, tanto na aptidão pra tirar fotos quanto na lembrança de que eu agora escrevo para um blog e devo andar com uma câmera a tiracolo.

- ícones: isso tem que ter mesmo. Era uma ideia que tinha desde a criação, mas que fui deixando passar e que o Duda fez muito bem em relembrar nos comentários. No próximo post pretendo começar com eles, e colocá-los também nos post anteriores. Me cobrem.

- textos longos: eu adoro. Muita gente que passa por aqui também gosta. O Norberto disse que acha que eles têm que ser menores e quase me convenceu. Espero que vocês me convençam do contrário, pra eu continuar com a mania de falar demais, como nesse post aqui mesmo. Acho que aqui a solução pra quem não tem tempo é recorrer aos ícones e me deixar ser egoísta e feliz escrevendo descontroladamente. O que vocês acham?

- referências a outros blogs: um ponto importante pra fazer amiguinhos e divulgar o meu trabalho. O problema é que esse template (que eu peguei pronto, óbvio) não tem espaço pra links dos blogs que eu visito. Alguém se disponibiliza a ajudar uma analfabeta?

- dicas supimpas: vou largar de vez em quando uns drops de coisas legais pra vocês visitarem, como o blog do Luiz Américo que eu falei hoje, e que realmente vale a pena conferir.

- referências a pessoas e delongas: bom, a história do Ivan, e que o Daniel falou também. Por que eu falo tanto das pessoas e de mim? Isso é chato? Acho simpático. O Daniel acha que eu sou preguiçosa e que essa é a maneira mais fácil de escrever. Desconfio que ele tem razão.

- e a comida?: crítica do Joaquim, que diz que eu falo pouco sobre a comida em si. Primeiro acho que não sou gabaritada o suficiente pra falar com autoridade, e depois sou alguém que gosta de escrever também sobre todas as outras impressões. Me convençam de que o Joaquim é um cozinheiro chato que quer ouvir falar só sobre comida e não sobre o lugar, o atendimento, o preço...

Esqueci de alguém que falou alguma coisa? Enfim, quero que vocês me dêem esse feedback. Se vocês se deram ao trabalho de ler até aqui, não sejam sacanas com o tempo de vocês e façam valer. Comentem, digam o que acham, critiquem, mas não esqueçam também de elogiar!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O que o Ragazzo e a Sadia têm em comum

A propaganda é atraente: um ragazzone (Ragazzo + calzone, captou?) por R$ 0,46. Já tinha comido um à portuguesa e tinha achado bastante razoável. É o tipo de coisa que você morde e pela quantidade de sabores misturados pensa que só pode ser do Habib’s. E é. O Ragazzo, pra quem não conhece, é uma rede de fast food italiano que pertence ao Habib’s. O truque é o mesmo: substitua bibsfiha por ragazzone e coloque um preço muito baixo, depois compense no valor do resto.
O restaurante aqui de Floripa fica na Beiramar, na altura da Arno Hoeschl, bem perto do meu trabalho. Meio-dia a fome bate e é hora de dar um tempo no expediente. Sugeri à Bel que a gente fosse no Ragazzo, porque estava de saco cheio de ir nos mesmos restaurantes e achava que seria ridiculamente barato.
Não é nenhum assalto a mão armada, mas pra um almoço de todo dia e pelo que comemos, não achei nenhum pouco justo. A ideia era pedir algum tipo de massa, e de cara fomos atendidos por uma garçonete com o avental absurdamente sujo. Fizemos o pedido, que demorou uns 15 minutos pra chegar até a mesa. Eu optei por um canelone de presunto e queijo ao molho Alfredo (creme de leite, parmesão, manteiga e pimenta-do-reino), e a Bel um fusilli bicolor com molho à bolonhesa. O procedimento para servir é o seguinte: uma garçonete (era outra, não a do avental sujo) extremamente estabanada traz a massa em um recipiente de cerâmica com um aspecto terrível e joga a comida no prato do cliente. Não entendo por que, se ela já serve toda a porção (que é bastante generosa), o prato não vem pronto da cozinha, o que pouparia essa cena. Ou por que não é colocado numa travessa e o cliente que se sirva? Quanto mais complicado melhor...
Mas vamos ao que interessa, o rango. Penso que se te ocorre comparar a comida que você prova num restaurante com comida pré-pronta congelada, é melhor que o dono se disponha a largar o ramo e abrir uma lavação de carros ou uma floricultura. E foi exatamente essa a sensação: pegaram o canelone, cinco minutos no microondas, dali pra mesa. O prato da Bel, que eu belisquei, estava menos ruim, mas no melhor estilo profusão de temperos e sabores do Habib’s, ao contrário do meu que estava sem gosto nenhum. Conclusão: a diferença entre um congelado da Sadia e o meu canelone é que eu paguei R$ 10,45 por ele e fui mal atendida.


Visualizar Ragazzo em um mapa maior

domingo, 9 de agosto de 2009

O mistério da Cervejaria

Se alguém conseguir entender o porquê das absurdas filas na Cervejaria Original, aberta há pouco em Floripa, por favor, me explique. Era preciso muita coragem (ou quatro amigas insistentes) pra encarar os 11º que o termômetro da Beiramar marcava e rumar para o bar mais movimentado da cidade, em plena quarta-feira.

A primeira lição já tinha sido tomada na semana anterior, quando, sem reservar lugar antes, desistimos de encarar a fila e o mau-humor do tiozinho da entrada e partimos pro Botequim. Chegamos às 19h, eu e Isadora, já prevendo que ficaríamos no salão de dentro, e não aproveitaríamos o deck, que segundo o site oficial da cervejaria, é pra quem “gosta de estar em evidência”. A evidência não era exatamente o problema, mas as mesas de fora já estavam ocupadas ou reservadas, o que me leva a acreditar que, se houvesse uma próxima vez, talvez devêssemos chegar ao meio-dia para garantir lugar, ou fazer reserva com uma semana de antecedência.

Devidamente instaladas, por óbvio, pedimos uma Original, que demorou nada menos que quinze minutos (após uma reclamação), pra pousar na nossa mesa, dentro de um balde com gelo com outras duas garrafas e nenhum pedido de desculpas pelo atraso. Ok, quando se mora em uma cidade em que se surpreende em ser bem atendido, este tipo de comportamento não é novidade. Pelo menos tínhamos um bom estoque garantido pros próximos minutos com as duas cervejas extras e, teoricamente, meia hora poupada, levando em conta a demora pra conseguir cada cerveja. Até então o ambiente ainda estava transitável, conseguíamos até conversar sem precisar gritar.

A ladie’s night ficou completa com a chegada da Pri, da Sol e da Camila, que se esgueiraram pelas mesas já cheias e conseguiram chegar inteiras, caçando a cadeira da mesa vizinha, que aterrissou pelas mãos do colega ao lado, mais eficiente que o garçom. A fome bateu, e com ela a sensação de que estávamos sendo assaltadas: 15 reais por uma porção de fritas que “alimenta bem duas pessoas”. Fiquei procurando um molho espetacular que justificasse o preço, mas a batata com parmesão veio acompanhada de um molho à base de catchup e outro de pimenta bem gostosinho.

A banda, uma das poucas coisas boas da noite, começou a tocar, e eu entendi então a importância de um curso de leitura labial. O som tentava abafar o zumzum das mesas vizinhas, e o resultado era uma quantidade absurda de pessoas por metro quadrado gritando para serem ouvidas. Depois de algumas cervejas e com as cordas vocais já comprometidas pela gritaria, hora de visitar o banheiro e, por conseqüência, hora de traçar a rota pra chegar até lá sem dispor de uma catapulta pra ser arremessada do outro lado da sala.

Operação banheiro cumprida, batatas destruídas em tempo recorde, boas cervejas bebidas, paciência esgotada e 20 minutos depois do pedido, a conta. Saímos 97 reais mais pobres, com a certeza de que nenhuma das cinco voltaria lá e sem a resposta pra pergunta que não quer calar: por que as filas?


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P.S: Fico devendo a foto do lugar. Descuido de principiante.