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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Os prós e os contras das compras coletivas

Nunca me senti tão público-alvo quanto no momento em que abri os primeiros e-mails de sites de compras coletivas. As chamadas eram irresistíveis: pizzas, doces, temakis, feijoadas, risotos a preços escandalosamente tentadores. Isso sem falar nas depilações a laser, aulas de ioga, rafting ou até mesmo cruzeiros. Como me sinto mais à vontade pra falar sobre comida a escrever sobre o “adeus aos pelos das axilas”, prefiro ficar nas ofertas gastronômicas.

As primeiras semanas foram de euforia – e um mês depois, de desespero, com a fatura do cartão de crédito. Não vou explicar aqui como funciona todo o processo, pois acredito que vocês vivem neste mundo e já, ao menos, ouviram falar sobre o sistema de compras (passou até no Estúdio Santa Catarina e no Fantástico, gente!). A proposta é eficiente, baseada no consumo por impulso, com o cronômetro regressivo assombrando na tela do computador – o que eu acho uma ótima estratégia, assim como quase toda a lógica do serviço.

A Dita Pizza é uma pizzaria muito simpática e bem recomendada, construída em pedra e com decoração elegante e rústica. A Dita lançou a oferta de uma pizza grande, mais um Salton Volpi Cabernet Sauvignon, por R$ 29,40. O preço original, sem a oferta, segundo o Compra Catarina, era de R$ 98,00.


Fachada da Dita Pizza (Divulgação)

Como a pizzaria fecha na terça-feira e o voucher não valia para finais de semana, resolvemos ir em uma quarta-feira, por volta das 22h. Confesso que a hora já era um pouco adiantada, mas decidimos arriscar mesmo assim. Mesmo com a noite chuvosa, a pizzaria, que comporta 70 pessoas, segundo o seu site, registrava uma lista de espera de quatro casais, amontoados no pequeno hall. Como moramos perto, eu e o Geison resolvemos desistir e voltar outro dia, mais cedo.

A segunda tentativa, com chegada às 20h, e duas semanas depois da compra, foi mais bem-sucedida. Nos acomodamos em uma das pouquíssimas mesas restantes, no centro do segundo salão, próximos à lareira. Era minha primeira vez na Dita Pizza e eu não sei se eles costumam dispor as mesas tão coladas umas nas outras ou aquele era o efeito-compra-coletiva. A garçonete, atenciosa, nos trouxe o vinho (o mesmo Salton Volpi de quase todas as mesas de casais, com suas devidas pizzas grandes) e a água mineral – essa por nossa conta. Tínhamos direito a três sabores e escolhemos Hirataki ao molho de ostras (molho de tomate, mussarela, cogumelo hirataki e molho de ostras), Queijo brie com damasco (molho de tomate, queijo brie e damasco flambado com alho poró) e San Parma (molho de tomate, mussarela, presunto Parma e orégano).

Depois de uma espera breve, a pizza chegou e comecei pela de hirataki. A massa estava fina, os cogumelos deliciosos, mas não senti qualquer vestígio do tal molho de ostras. O hirataki tem um sabor bastante pronunciado, talvez por isso não tenha sido uma boa combinação. Parti então para o próximo sabor, de presunto parma, que eu adoro. O pecado da vez foi deixar a pizza assar de forma irregular. O resultado foi um parma tostado além da conta, com gosto mais pra queimado que pra defumado. A melhor da noite foi a última a ser provada, com um equilíbrio bom entre os sabores delicados do brie, do damasco e do amado alho poró. Mas confesso que esperava mais, depois de tantas recomendações.


A pizza de damasco, brie e alho poró (Divulgação)


Pedimos para levar o restante do vinho, encerramos a conta no valor de uma água mineral e saímos com vontade de voltar em tempos sem efeito-compra-coletiva. Acredito que, por ser pequena, e não ter comportado o número de clientes que aderiram à promoção, a qualidade tenha caído. Para estes casos, acho que a limitação no número de cupons vendidos ajudaria bastante. Talvez tenha sido apenas um dia meia boca. Mas, como sabemos, constância é um valor que os restaurantes não podem se dar ao luxo de esquecer, mesmo em tempos de compra coletiva.

Atendimento: ☺☺☺☺
Momosidade (casal): ♥♥♥♥
Aceita cartão de crédito / débito
Endereço: Rodovia Admar Gonzaga, 3595 / Subida do Morro da Lagoa
Telefone: 3334-0945
Abre de quarta a segunda, das 19h à meia-noite.


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Alguns sites que lançam ofertas aqui de Floripa:

Click On
Compra Catarina
Imperdível
Peixe Urbano

Conhecem mais algum? Me falem nos comentários que eu complemento aqui!

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Domingueira no Tamarutaca

Tamarutaca é um crustáceo muito feio que vive no fundo do mar. Quem me contou isso foi o Google, quando recorri a ele para encontrar o endereço do restaurante que leva o mesmo nome do tal bicho e fica na Barra da Lagoa. Domingo de sol é dia de sair para almoçar com a família. Formada a caravana, fomos conferir se o Tamarutaca é tudo isso que eu já ouvi falar de muitos dos meus leitores.

O restaurante fica na estrada da Fortaleza da Barra e estava cheio quando chegamos, pelas 13h da tarde. Esperamos poucos minutos até vagar uma mesa para oito pessoas e logo passamos aos pedidos, já que a fome era grande. Já tinha ouvido falar do Camarão ao Catupiry (R$85,80 para três pessoas) de lá, a especialidade da casa. O primeiro prato estava decidido. A segunda escolha foi o Congrio à Belle Meunière (R$69,80). Para a cunhada Bianca e o concunhado (ainda se usa essa palavra?) Pedro, que combinam até na alergia ao camarão, a opção foi o Linguado ao molho de dois queijos (R$64,80).

Para abrir o apetite, pedimos uma porção de camarão à milanesa (R$ 29,80). O empanado
estava delicioso: sequinho, crocante, lisinho. Deu até pra perdoar a pouca variedade de cervejas que o restaurante oferecia no dia (somente Skol e Bohemia).


Camarão à milanesa

Apesar do movimento intenso, não demorou muito para os pratos chegarem (nem tão demorados que cansem o cliente, nem tão rápidos que pareça que já estão prontos é o lema). O camarão refogado na manteiga veio encoberto pelo molho ao sugo com catupiry, acompanhado de arroz e batata palha (podiam caprichar mais no acompanhamento, né? Batata palha eu como em casa). O camarão...tão simples e tão divino. Temperos no ponto certo, ponto de cozimento também. Não estava borrachento, e tinha um sabor incrível, que não se perdeu em meio ao molho. Sim, é mesmo tudo o que tinham me falado.


O camarão ao catupiry

A segunda boa surpresa ficou por conta do congrio grelhado, coberto com camarão, alcaparras e champignon e acompanhado de arroz e batata sauté. Eu sou apaixonada por manteiga, champignon e alcaparras, logo, suspeita pra falar. Mas estava delicioso, o que foi confirmado pelo restante da mesa. O pessoal ficou em dúvida se elegia o congrio ou o camarão ao catupiry como o preferido do almoço.


Congrio à belle meunière


Aproveitei e também dei uma beliscada no linguado ao molho de dois queijos. Também estava muito gostoso, com sabor delicado.


Linguado aos dois queijos

O atendimento também foi muito simpático. Para os clientes que não dispensam o cafezinho ao final da refeição, eles trazem uma garrafa térmica e um potinho de biscoitos, como se estivéssemos em casa. Ao final, fomos embora com R$ 75 por casal a menos no bolso, mas com a certeza da volta breve!

Preço: $$$
Atendimento: ☺☺☺☺☺
Momosidade (casal): ♥♥
Aceita cartão de crédito / débito


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sexta-feira, 23 de julho de 2010

Menos é mais no Vadinho

Juro pra vocês que eu fiquei envergonhada de nunca mais dar as caras e já estava decidida a parar de escrever de vez. Foi então que acessei o Analytics e percebi que vocês são uns fofos que não deixam de entrar aqui, mesmo eu sendo a blogueira mais relapsa do mundo. Isso sensibilizou meu coraçãozinho e vou tentar, com todas as minhas forças, atualizar mais frequentemente.

Sei que isso já está parecendo a história do menininho e do lobo (alguém lembra disso? A tia da escola contava na tentativa frustrada de me impedir de mentir descaradamente. Pra quem não se atinou, a dica é Google: “O menino e o lobo”). Mas agora que faculdade, TCC e formatura são termos banidos do meu dicionário (pelo menos por um tempo), acho que tudo vai ficar mais fácil.

A propósito, apresentei o TCC que tinha falado pra vocês, tirei 10 e agora sou uma jornalista formada, por mais que isso não queira dizer muito nos tempos de hoje. Em breve, assim que corrigir uns detalhes observados pela banca, disponibilizo aqui para vocês.

Muito tempo se passou, conheci alguns lugares, voltei a outros, comi, bebi, conheci gente bacaninha e veio a questão: falar de quem nessa volta triunfal? Por fim, decidi escrever sobre um lugar excelente e barato, que está fora do mainstream gastronômico florianopolitano: o Restaurante do Vadinho. Algumas pessoas já tinham me pedido para escrever sobre ele. Para compensar o meu descaso, aqui vai o post, para os sobreviventes do lado de lá:


É preciso vencer uma série de outros restaurantes mais vistosos e mais famosos (como o Arantes) até chegar ao último deles, no final da orla do Pântano do Sul. Estacionamento é algo que não existe. As pessoas geralmente deixam o carro ali mesmo na areia, entrando no clima “terra sem lei” do sul da Ilha, até que a ressaca nos expulse.

O Bar do Vadinho (valeu pela correção, Xexéu!) não tem cardápio. A comida é a mesma para todos, todos os dias: peixe da época (agora é tainha) em postas e/ou filé, pirão, salada, arroz, feijão, batata frita e a saborosíssima estopa – um desfiado de cação e arraia molhadinho e com um tempero maravilhoso, que é de comer de joelhos.


Tudo isso e muito mais por R$ 18

Segundo o próprio Lourival João Perão, o Vadinho, ex-pescador e dono do restaurante, ali se encontra a autêntica comida caseira do Pântano, um dos lugares mais manezinhos da ilha. Por módicos R$ 18 por pessoa (o preço é o mesmo para todos), come-se à vontade e de quebra dá para apreciar os quadros expostos nas paredes, produzidos com conchas e outros materiais, de autoria do próprio Vadinho.


Quadros do Vadinho, feitos com conchas e materiais rústicos

Se os clientes não se derem por satisfeitos com a primeira rodada de comida, o dono do restaurante e outros quatro garçons repõem as porções nas 19 mesas lotadas do restaurante. Eu e o Geison jogamos a toalha logo no primeiro round, com comida muito bem servida e de sabor espetacularmente simples.

O restaurante, que antigamente abrigava a venda do seu João Manuel Inácio, pai do Vadinho, abre todos os dias, dia e noite, durante a alta temporada. De abril a novembro, o almoço é servido aos fins de semana e feriados.

A dica é chegar cedo para garantir lugar. Se no tempo do seu João Manuel o destaque era o único gramofone da região, que fazia a venda ficar apinhada de gente, hoje é a comida que sai da cozinha de Vadinho que atrai turistas e moradores de Florianópolis em busca de uma refeição simples e saborosa.

Preço: $
Atendimento: ☺☺☺☺☺
Momosidade (casal): ♥
Aceita cartão de crédito / débito


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sexta-feira, 14 de maio de 2010

Pra não dizer que não falei do Brasil Sabor

Eis que, como Freddy Krueger, eu volto das cinzas pra mais um post. Todos têm razão em me xingar por ficar tanto tempo sem postar nada aqui e acho que muita gente desistiu pelo caminho. O negócio é que isso aqui começou como uma brincadeira que está dando certo. Fui chamada pra fazer uns freelas por causa do blog e ele também foi o grande encorajador do meu TCC, que eu ainda não contei pra vocês. Vai ser uma publicação de gastronomia, nos moldes da Revista Gosto (sou fã de carteirinha), com pautas de Floripa. Então, o que eu posso dizer é que estão rolando muitas entrevistas com gente boa de Floripa, que está fazendo alguma coisa pra levantar a moral da nossa cozinha. Depois que eu defender o trabalho, compartilho aqui com vocês, mas já posso adiantar que um TCC nunca foi tão gostoso (óbvio que tinha que ter um trocadilho infame). Ao post, leitores!

Apesar da correria toda da vida, não queria deixar o Brasil Sabor passar sem provar pelo menos um prato. A escolha foi direcionada totalmente pela distância entre a minha casa e o restaurante. Fomos então de Pitangueiras, um restaurante com uma vista privilegiada da Ponta do Sambaqui. A noite era fria e chuvosa, mas Sambaqui consegue ser bonita mesmo assim. Já tinha ido ao Pitangueiras na alta temporada, em um domingo, o que é sinônimo de no mínimo uma hora de espera entre o pedido e o prato na mesa. Desta vez, como fomos à noite, na baixa temporada, durante a semana, tivemos mais sorte com o movimento e também o privilégio de conversar um bocado com o Valentin, o mui simpático garçom que trabalha há anos por lá. Como estava friozinho, ficamos do lado de dentro e não curtimos o deck com a vista maravilhosa. Mas coloco aqui a foto deles pra vocês terem uma ideia.


Divulgação

O prato criado para o Brasil Sabor foi o Côngrio ao molho de siri (a receita vocês conferem aqui). Esse pedido já estava feito, nos restou apenas escolher a bebida. Como estávamos no Pitangueiras, nada melhor que uma caipira de pitanga. Valentin prontamente nos informou que foi ele o criador do drink e que, com o passar dos anos, abriu a opção de substituir a vodka pelo saquê. Saquerinha de pitanga, um luxo só! O saquê deixa a bebida bem leve, o que é um perigo pros mais fracos. Como não é o meu caso, mandei ver.



Depois de um tempinho de espera chega à mesa o côngrio grelhado ao molho de siri flambado, com creme de leite fresco, arroz e a delícia da noite: siri mole (R$ 59, para duas pessoas). o processo do siri mole é o seguinte: o pobre bicho é surpreendido pela crueldade humana quando vai trocar de casca. Ele é morto durante essa transição para poder chegar até nós inteiro, limpinho e mole. Passado o momento de compaixão (que durou dois segundos), nos deliciamos com a carne macia, saborosa e branquinha do siri empanado inteiro. Recomendadíssimo. Acho mesmo que ele rouba a cena do restante do prato. Gostei do côngrio, mas acho que pesaram um pouco a mão no tempero e ele perdeu espaço pro molho de siri. Mas comeria novamente sem pensar duas vezes. O up ficou por conta do molho de pimenta com manga do Brasil Sabor. Sou suspeita de falar sobre pimentas, já que eu adoro. Mas o Geison, que não é muito fã, não me deixa mentir. Pimenta muito saborosa e nada ardida, como deve ser.



Ao final da noite, pedimos a conta. Na contramão da exploração que geralmente se vê nos restaurantes daqui, o Pitangueiras não cobra taxa de serviço. Se você for bem atendido, contribui com o que acha justo. Como o atendimento foi excelente, com direito a explicação sobre drinks e aula sobre predação implacável de siris, nada mais justo que reconhecer o trabalho do nosso amigo Valentin. Entre conta e gorjeta, gastamos no total R$ 77,50. Detalhe importante: o festival acaba amanhã, mas não precisa correr pra não perder a chance de comer essa delícia. O prato fez tanto sucesso que vai entrar pro cardápio.

Preço: $$$
Atendimento: ☺☺☺☺☺
Momosidade (casal): ♥♥♥♥
Aceita cartão de crédito / débito
Estacionamento para carros e barcos (très chic!)


Serviço:
O Pitangueiras abre de quarta a segunda-feira, das 11:30 às 24:00.
(48) 3335.0398
http://www.restaurantepitangueiras.com.br/


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quarta-feira, 24 de março de 2010

O La Bohème nosso de cada dia

Sei que vocês andam muito mal acostumados com meus posts glamourosos sobre Café Riso, Bianco Lounge, Deck e tudo mais, mas hoje voltaremos à realidade do almoço nosso de cada dia. Vamos de buffet a quilo, mas só se for bom, bonito, barato e limpinho.

O La Bohème é tudo isso e de tudo um pouco (café, confeitaria, restaurante...) – uma das poucas opções de comida digníssima que a Trindade oferece, além do Restaurante Universitário, obviamente. Como eu não tenho mais idade pra enfrentar as incansáveis filas do RU, resolvi desbravar a Trindade em busca de um bom custo benefício, que encontrei no La Bohème (R$24,90 o quilo, de segunda a sábado e R$ 29 aos domingos e feriados). Pra quem não conhece, fica quase em frente ao Comper, num salãozinho do subsolo de uma loja de decorações, que pede ampliação urgente.


Divulgação

Na opinião da Cora, um Central da Trindade. Acho um pouquinho de exagero, já que considero o Central um hors concours (valeu pela correção, Tony) no que se refere a buffets, mas a comparação tem lá seu fundo de verdade. Aliás, abro um parêntese pra confessar que almoçar anda um pouco mais triste, já que esta minha parceira anda desbravando o cerrado e me abandonou à sorte das quiches de queijo ou champignon e do célebre arroz com abacaxi e gorgonzola.

Essas são apenas umas das minhas preferências, que de vez em quando figuram pelo sempre variadíssimo buffet, com diversas opções de saladas, massas (lasanhas, rondeles, tortéis, nhoques...) e carnes. Oferece também opções muito honestas de comida para vegetarianos. Vale a pena ficar de olho nos dias em que são servidos almoços especiais. Hoje, por exemplo, é dia de comida baiana. No site dá pra conferir a programação com todas as cozinhas – oriental, italiana, árabe, mineira (demais!) e portuguesa.

Como nem tudo são flores, alerto pra dois pontos fracos do La Bohème: as carnes grelhadas e as filas. As carnes ficam na cuba no fim do buffet e quase sempre dão pena de ver, mais abandonadas que bombom de banana na caixinha de chocolate Nestlè. Aliás, carne grelhada geralmente só dá pra encarar quando é preparada ali na sua frente. Nesse caso, melhor preferir as outras carnes que o buffet oferece, como a deliciosa vaca atolada que de vez em quando dá as caras por lá. Outra dica é: afaste-se ao máximo do horário do meio-dia. Ou chegue cedo, ou chegue tarde. Como a expertise em RU já trabalhou bem a minha paciência, encaro numa boa as filas, mas já vi muita gente desistir de comer lá por conta delas.

Depois do almoço, nada melhor que um cafezinho delicioso, que pede um pedaço de torta e uma amnésia, pra esquecer de contabilizar as calorias. Eu sou fã da Três Mousses, que tem uma base de casquinha de bolacha com castanhas e recheio de mousse de chocolate ao leite, chocolate meio amargo e de chocolate branco. O preço, ao contrário da torta, é salgadinho (não resisti à piada infame), R$ 33 o quilo.

Semana passada fui conferir o recém inaugurado Armazém da Pasta, assunto pro nosso próximo post!

Preço: $$
Atendimento: ☺☺☺☺☺
Momosidade (casal): ♥♥
Aceita cartão de crédito / débito


Serviço:
O La Bohème abre de segunda a sexta, das 11h às 20h e aos sábados, domingos e feriados, das 11h às 16h.
(48) 3234-7647
http://www.labohemecafe.com.br/


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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

As delícias do Café Riso

Nada como iniciar o ano em grande estilo. O almoço foi no ano passado, mas o post ficou pra 2010, e aqui vamos nós de Café Riso & Etc. Acho que todo mundo que é de Floripa já ouviu falar de lá, ainda mais depois da super campanha de divulgação que eles andam fazendo pelos outdoors da cidade, com a inauguração do Café Riso Plage, em Jurerê Internacional. Bom, eu fui no Riso da Bocaiúva e posso adiantar que valeu o investimento.

Algumas pessoas acham justo pagar R$ 1 mil em uma bolsa, outras não se importam em torrar R$ 300 em uma camiseta. Eu prefiro investir R$ 50 em um almoço executivo no Riso e todos vivem felizes com as coisas que lhes fazem bem. As ótimas companhias do dia eram o Fábio, um apaixonado por comida, a Bia e o Thiago. Aproveitando o horário de almoço de mortais trabalhadores que nos cabe, deixamos o carro no amplo estacionamento que fica em frente e entramos pelo caminho estreito que leva ao restaurante.

Quem olha de fora pode até se enganar e achar que o salão é pequeno, mas o espaço surpreende. Do lado de fora, um sofá e cadeiras, pra quem quiser aproveitar o espaço de confeitaria que eles oferecem na entrada. Continuando pelo corredor, descobrimos um salão, que somado ao espaço da confeitaria, comporta até 86 pessoas. Tem também um espaço para eventos na sobreloja, mas esse eu deixei pra próxima incursão. A decoração é linda, tudo muito sofisticado e espaçoso. A única ressalva que eu faço, que é um comentário personalíssimo, é sobre a mania de colocar o Luciano Martins em tudo quanto é canto de Florianópolis. Luciano Martins está pra Floripa, quase como o Juarez Machado está pra Joinville.


Divulgação - Salão com cozinha aberta ao fundo

Ficamos em uma mesa próxima ao caixa, que o Fábio tinha reservado previamente, ouvindo um DVD do Caetano que tocava bem baixinho – como tem que ser – e um pouco longe da “cozinha show”, onde os clientes podem acompanhar a preparação dos pratos.


Divulgação

Eles se definem, no perfil do orkut, como um espaço gastronômico que agrega especialidades da cozinha internacional, que mistura ingredientes locais com técnicas italianas e francesas. Atendidos pelos profissionalíssimos garçons, partimos para a escolha. Eu, pra variar, já tinha consultado as opções do cardápio no site, que disponibiliza também o valor dos pratos. Mas lá não se encontravam as opções de prato executivo, que acabou sendo a minha escolha.

Funciona assim: a cada dia eles oferecem três opções de entrada e três de prato principal. Você paga por um dos combos (acho que eles jamais usariam essa palavra) “Entrada + Principal” (R$ 39) ou “Principal + Sobremesa” (R$ 39) ou ainda “Entrada + Principal + Sobremesa” (R$ 45), essa última, uma surpresa do chef. Longe de desconfiar do Vitor Gomes, o conceituado e premiadíssimo chef (naquela semana tinha sido reeleito o melhor de Floripa pela Veja, e o Café faturado o prêmio de melhor cozinha variada), resolvi deixar a sobremesa de lado e investir no primeiro combinado. Criativos que somos, pedimos todos as mesmas entradas e pratos, e o Fábio optou pelo combo master, com direito a sobremesa.

Enquanto a equipe de jovens cozinheiros trabalhava nos nossos pedidos, chegou o couvert: pãozinho delicioso quente, com diversos acompanhamentos que levavam tomate seco, atum, manteiga composta, alho. Um bom prenúncio do que estava por vir.



Eis que chega a entrada: balatine de salmão marinado, com creme cheese e alga, molho tarê e brotos. Na foto vocês tem uma idéia melhor. Lembra um sushi e tem um gosto incrível, fresquíssimo.



Para o principal, não podia faltar a proteína nossa de cada dia: escalope de mignon guarnecido por crepe de cogumelos e legumes ao molho de queijos. Pedi o filé ao ponto e realmente estava delicioso. Os legumes surpreendentes, com um gosto bem pronunciado, com cara de quem não ficou muito tempo no fogo pra não perder o sabor. De tudo, o que menos gostei foi o crepe, um pouco massudo demais, roubando o sabor dos cogumelos que recheavam. Um detalhe a ser ressaltado é a quantidade: o prato é muito bem servido, com três escalopes de filé, quase passei um trabalho pra dar conta.



Estava satisfeitíssima, mas ainda assim não podia deixar de dar uma beliscada na sobremesa surpresa do Fábio: sorbet de limão, em cima de uma camada de crocantes, acompanhado de ganache de chocolate branco com maçãs cozidas no vinho, um luxo só!



Mais que satisfeita, desembolsei sem pestanejar meus R$ 47, com a certeza de que, como dizia o filósofo, existem coisas que o dinheiro não compra, para todas as outras existe Mastercard (ou, no caso, Visa Electron).

Dicas:

Querem uma segunda opinião sobre o Riso? O pessoal do blog Destemperados também andou por lá, comeu outros pratos, tirou outras fotos e escreveu um post delicioso, confere lá: O Sofisticado Café Riso

Falando em coisas boas que andam fazendo por aí, vale a pena conferir a entrevista com o chef catalão Ferran Adriá, na última edição da revista Gosto, a melhor publicação sobre gastronomia no Brasil hoje em dia.

Outra dica: ganhei do meu irmão “Ervas, temperos e condimentos”, um livro supimpa sobre, ahn...ervas, temperos e condimentos, do Tom Stobart, organizado pela jornalista Rosa Nepomuceno. Vale como um guia de consultas e tem mais de 400 verbetes, em seis idiomas, com a explicação sobre cada um e tudo mais.

Existe alguém aí do outro lado? Então comenta!

Preço: $$$$$
Atendimento: ☺☺☺☺☺
Momosidade (casal): ♥♥♥♥
Aceita cartão de crédito / débito


Serviço:

O Café Riso & Etc abre de segunda a sábado, das 9h à 1h.
(48) 3223-8753 / (48) 9943-5222
contato@caferisoetc.com.br
http://www.caferisoetc.com.br


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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Fim de tarde no Samurai Temaki

Que as temakerias invadiram Florianópolis não resta a menor dúvida. É uma alternativa fast-food aos sushis e acaba saindo mais em conta, levando em consideração o custo-benefício do salmão / atum / polvo / kani (ou seja o que for) por metro quadrado. Acabo sempre indo na Yaah, que tem uma promoção de almoço (cerca de R$ 20 por dois temakis + refri ou água), mas tem também a Temax, na mesma região próxima ao Beiramar Shopping, que não fica pra trás. O inconveniente de lá é a sensação de que você tem que comer e sair correndo, já que o lugar é apertadinho e tem aquelas mesas altas que sempre me dão aflição. Mas a Yaah e a Temax ficam para um próximo post, já que na semana passada resolvi variar e conferir a primeira filial do Samurai Temaki, que fica no Santa Mônica, no Centro Executivo Aldo Kuerten. A matriz fica na Lagoa.

Eu e a Cora, minha companheira inseparável de incursões gastro-orientais, decidimos esperar pela Ana do lado de fora, nas mesinhas de madeira com ombrelones (momento Aurélio do dia: guarda-sol de bar), super gostosas para uma tarde escaldante. Como calor pede cerveja e cerveja é desculpa pra matar o tempo, pedimos uma Stela Artois long neck (R$ 3,70 – mesmo valor da Bohemia long neck). Depois de muito papo e algumas Stelas, a Ana chegou e resolvemos fazer o pedido.

Fiquei muito em dúvida, porque o cardápio é bem variado. Mas como sei do que não gosto, por eliminação fiz uma semifinal entre quatro opções e acabei escolhendo dois: um Filadélfia Oriental (R$ 12), que vem com salmão, cream cheese, pepino japanês e togarashi (uma pimenta japonesa que eu achei bem suave) e um Panda(R$ 11), misto de atum, salmão, cream cheese e cebolinha. Com toda a criatividade que a vida deu a elas, a Cora e a Ana optaram pelos mesmos sabores, com a diferença que o meu primeiro eu pedi sem pepino.

Não demorou muito para o Filadélfia Oriental ser preparado pelos dois sushimen e chegar pelas mãos do moço muito simpático que nos atendeu e que eu acredito ser o dono da franquia. Posso garantir que eles são muito generosos e não poupam salmão que, vamos combinar, é o que interessa. A pimentinha deu um gosto bem bom e eu não achei forte. A Cora achou um pouco ardida, talvez tenha ido um pouco mais no dela. Gostei muito e recomendo. Só tenho que me cuidar pra não pedir sempre o mesmo sabor todas as vezes que eu for lá, que é o que eu sempre faço.


Divulgação

Em seguida, por recomendação do nosso amigo simpático, resolvemos aproveitar que os atuns ainda não foram extintos da face da Terra (a pesca ilegal promete acabar com eles bem logo) e investir no Panda. Ele garantiu que os atuns estavam super frescos e não foi propaganda enganosa. Gostei ainda mais do segundo, e só não parti para um terceiro porque já estava muito satisfeita e tinha cansado de fingir que eu era rica por um dia (tinha almoçado no Café Riso, o próximo post).

O atendimento foi muito bom e de quebra eu ainda ganhei um picolé Melona sabor melão, que é tudo mesmo que falam por aí, uma delícia e incomparável com o que chamam de picolé por aqui. Não paguei, mas garanto que quem provar, não vai se arrepender do investimento (R$ 4,50), muito mais barato que outros lugares, como a Yaah (R$ 6).

Como eu sou facilmente seduzida por programas de fidelidade, fiquei feliz de saber que por lá também tem o esquema do cartãozinho: a cada 12 temakis, você ganha um de brinde. Feliz da vida, muito satisfeita com a comida e o atendimento, desembolsei R$ 31,70 e encarei o próximo pit stop do dia no Santa Hora com as meninas. Mas isso é assunto para um outro post.

Preço: $$$
Atendimento: ☺☺☺☺☺
Momosidade (casal): ♥♥
Aceita cartão de crédito / débito

O Samurai Temaki abre segunda, das 11h30 às 16h; de terça à sábado, das 11:30h à meia-noite e domingo das 18h à meia-noite.


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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Ostras, Freguesia e Santo Antônio

Cá estou de volta, pra cumprir a promessa de falar sobre o Freguesia. Santo Antônio de Lisboa é dos lugares mais charmosos de Floripa e oferece um dos melhores roteiros gastronômicos da Ilha. Confesso que a praia está nos meus sonhos dourados de lugar pra se morar por aqui. Melhor ainda se isso incluir uma vista linda pra praia, com uma cervejinha de um lado e um prato de ostras do outro.


Divulgação

Enquanto não vou pra lá de mala e cuia, me contento em aproveitar uma noite deliciosa de primavera pra comer bem. Como todos tiveram a idéia de aproveitar a noite, eu e o Geison ficamos, a princípio, dentro do restaurante, enquanto esperávamos vagar um lugar do outro lado da rua, onde o pessoal instala as mesas e cadeiras de plástico e fica por ali, batendo um papo e comendo, entre o calçamento de paralelepípedo e o mar. Não demorou muito pra conseguirmos nosso lugar ao luar (tsc tsc). Tomando uma Original pra abrir o apetite, pedimos o prato do Bar em Bar: Ostras ao alho e óleo (R$ 17,50 a dúzia).



Depois de uns 15 minutos esperando e a fome aumentando, as ostras chegaram à mesa. Eles dizem que é uma dúzia, mas garanto que eram muitas mais. Vinham fora das conchas, imersas no alho e óleo, com um aroma que dava vontade de sair flutuando, igual nos quadrinhos. Devaneios à parte, hora de provar as ostras de um dos restaurantes mais movimentados de Santo Antônio. Se o cheiro já estava bom, o sabor conseguiu superar. Simplesmente deliciosas, com um gosto de alho na medida certa, sem se pronunciar demais. Dos pratos que fazem o cliente voltar ao restaurante e pedir mais. Aconselho que quem optar pelas ostras, mande descer também um acompanhamento. Ficamos só nelas, e pra matar a fome foi preciso pedir uma porção de isca de peixe espada, que estavam muito boas e sequinhas também. Nada daquela gordura escorrendo pelo guardanapo.

No fim da brincadeira, menos R$ 30 no bolso pra cada e a certeza que Santo Antônio ainda tem muito a render aqui por esse blog e fazer a alegria do paladar de muita gente.


Drops:

- de Santo Antônio devo um post sobre o Bar dos Açores, uma das grandes surpresas do ano pra mim. Virei fã, mas por enquanto só fui “não-profissionalmente” por lá.

- semana passada a Veja entregou as premiações do Veja Santa Catarina – Comer e Beber. Merece um post a parte. Estou pensando em fazer um tour baseado nos "melhores" e discutir isso aqui com vocês.

- falando em Veja, ontem conferi o Café Riso e etc, que ganhou na categoria Restaurante Variado e Chef do Ano, com o Vitor Gomes. Semana que vem tem post saindo do forno. À noite conferi a Samurai Temakeria do Santa Mônica, que também tá na fila.

- dívidas com vocês: devo uma visita ao Terra Brazilis, sugerida pelo Norberto; outra na Enoteca Osigo, sugerida pelo Orlando; devo mais alguma coisa pra alguém?

- não deixem o blog morrer. Pela primeira vez um post não recebeu nenhum comentário. Além do Google Analytics, que me ajuda a ver como isso aqui anda, os comentários são quase que a única fonte de feedback que eu tenho. Comentem!

Preço: $$$
Atendimento: ☺☺☺☺
Momosidade (casal): ♥♥♥♥♥
Não aceita cartão de crédito / débito
O Freguesia abre de quarta a segunda, das 11h às 23h30


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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Uma Conversa Fiada em Coqueiros

Tinha escrito primeiro o prometido post do Freguesia, mas acabei esquecendo no PC de casa. Então aproveito pra falar sobre o Conversa Fiada, barzinho de Coqueiros, um dos que fizeram parte do já encerrado Bar em Bar 2009. Como o prato continua no cardápio e o bar continua funcionando, lá vamos nós falar sobre o que o continente pode oferecer e você ainda não sabe.

O conversa fiada fica na rua do San Jacques, uma das perpendiculares à avenida da orla. Já tinha ido lá uma vez e ficado com vontade de escrever sobre o lugar, que é uma fofura. Ele tem uma parte externa que eu considero subaproveitada: tem o espaço das mesas, o espaço coberto e um tipo de palco mais no fundo que, das duas vezes que fui, não estava sendo ocupado para nada. Aí tem a parte de dentro, com mesas e um buffet de sopas durante o inverno.



Divulgação

Da última vez, a diversão minha e do Geison foi ficar tentando adivinhar as caricaturas dos cantores e compositores que estampam os quadros da parte interna (depois de algumas cervejinhas). Mas dessa vez, resolvemos ficar do lado de fora, aproveitando a noite super agradável e observando o movimento. Como no Conversa Fiada não tem chopp, nos contentamos em validar mais uma fichinha do Amigos do Copo com uma Original e já pedir o prato da vez: Queijo de Coalho ao alho e óleo ou orégano, servido com pão fatiado e salada (R$ 14, para duas pessoas). Como o Fernando, o garçom que nos atendeu, era muito gente boa, pudemos pedir meio alho e óleo e meio orégano, pra poder provar e falar pra vocês qual era a do queijo coalho.
Eu imaginei que viesse em uns espetinhos ou seilá (acho que eu ainda estava na vibe Churrasquim). Mas o prato, que era muito do generoso, serviu bem duas pessoas e surpreendeu. Confesso que não tinha grandes expectativas, mas estava realmente muito bom, principalmente o de orégano (que também está no rol das invenções do mundo, junto com a farofa Yoki e o manjericão), com um azeite de oliva por cima. Dispensaria a salada, que não teve muita saída e acho que não combinou muito com o restante.

Pedimos a conta, que ficou só no preço do prato e na gorjeta merecida do Fernando, já que encaramos só uma Original. Resumindo a ópera, é um lugar a se conferir no continente, com um ambiente muito gostoso, preços justos e atendimento nota 10. E é bem propício para um clima momoso.


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Preço: $$
Atendimento: ☺☺☺☺☺
Ruído/Música: ♫♫
Momosidade (casal): ♥♥♥♥
Aceita cartão de crédito / débito

P.S: no próximo post (que já está pronto e coloco no ar no fim de semana) falo sobre o deliciosíssimo Freguesia e relembro alguns dos meus débitos com vocês, de lugares que sugeriram e eu tenho que conferir. E muitas, muitas ideias pipocando...

sábado, 21 de novembro de 2009

Boteco da Ilha no Bar em Bar

O Boteco da Ilha já é um lugar tradicional na vida boêmia de Floripa. Em uma cidade onde a taxa de mortalidade de bares e restaurantes é altíssima, o que é pra nós infância (7 anos), já é quase meia-idade quando se trata de sobreviver de comes e bebes.


Divulgação

Apesar de ter aportado em Floripa antes mesmo da fundação do Boteco, nunca tinha dado as caras por lá. Mas por força da maratona, da minha curiosidade e do prato promissor, resolvi conferir, mesmo enfrentando um dia de chuva. Devidamente equipada com meu amigo inseparável, o copo, deixamos o carro numa daquelas ruazinhas paralelas à Beiramar, à sorte do primeiro flanelinha que aparecesse. E eles sempre aparecem.

Eram cerca de 20h de uma sexta-feira e o bar já estava bem cheio, o que nos forçou a ficar do lado de dentro, esperando o restante do pessoal. O lugar não tem nada de mais, decoração OK, tudo simples, mas legal. Fomos atendidos pelo Alemão, o que ajudou e muito a construir uma boa imagem do lugar. Para fazer valer mais uma fichinha do Amigos do Copo, pedi um chopp da Brahma (R$ 3,30 – 300ml) e o Geison outro, que estavam longe do meu conceito de gelado (não acho que tenha que trincar o dente, até porque daí perde o sabor, mas minimamente geladinho tem que estar).

Resolvemos pedir logo para o Alemão agilizar o Bacalhau Imperial da Ilha (R$ 16, segundo eles, para uma pessoa), que era o peixe gratinado com provolone e massa folhada, aconchegadinho na cama de mussarela de búfala. Parece muito bom, né? E de fato estava. Só dispensaria a massa folhada, que com a umidade do peixe e do queijo fica um pouco molenga e, pra mim, não tem muita função quando se trata de um prato principal e não de uma empada, uma torta ou um strudel. Fora a minha implicância de praxe e as azeitonas decorativas (uó!), o prato estava realmente muito bom, com um tempero gostoso e suave. E se a idéia for comer civilizadamente, o prato satisfaz muito bem duas pessoas, e não somente uma, como eles anunciam.


Bacalhau Imperial da Ilha

Nesse meio tempo, pra nossa sorte ou azar, começou a música ao vivo. Já dizia o célebre filósofo que, em Florianópolis, o povo confunde música ao vivo com show: você senta pra beber como num bar e grita pra conversar como se estivesse em uma balada. O repertório do “show” era muito eclético (quando eu digo muito é no sentido de exageradamente). Vitor & Leo e Adriana Calcanhoto dividiam pacificamente o mesmo violão.

Entre fadas queridas e balas de prata, arriscamos uma segunda rodada de chopp, pra acompanhar os outros quatro amigos que chegaram, acreditando na promessa do garçom (que não era o Alemão) de que o segredo da temperatura estava em tirá-lo corretamente. Depois de comprovar que a promessa era furada, partimos para a cerveja mesmo.

Depois de algumas cervejas, muita música (muito alta), um bom atendimento, uma comida muito boa e um preço razoável (R$ 27 para cada), fomos embora, não sem antes reservar a cota de costume do flanelinha.

Preço: $$
Atendimento: ☺☺☺☺
Ruído/Música: ♫♫
Momosidade (casal): ♥
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PS1: Última semana do Bar em Bar. Até agora fui em 6, ainda dá tempo de conferir mais. Próximo post: ostras ao alho e óleo no Freguesia.

PS2: Aproveitem o Festival de Coqueiros, acaba dia 29/11 também. Semana que vem vou dar uma conferida em pelo menos um dos restaurantes.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Taikô no Bar em Bar

O segundo bar escolhido da maratona foi o Taikô do Iguatemi. Já estava com vontade de conferir desde quando abriu, há cerca de um mês, então juntei a fome e a vontade de comer (trocadilho infame) e fui conferir o tal mignon com gorgonzola.

Recém saída do trabalho, descabelada e de chinelo, não me intimidei em entrar no restaurante (que de bar não tem nada, como bem falou o Tony, em algum dos comentários). Logo na entrada, eu e a Cora fomos muito bem recebidas, e ficamos em uma das mesas do lado de fora, que é um aquário, e pode ter as janelas fechadas em caso de chuva ou de vento, como era o caso. Realmente a sobrinha da propaganda das Havaianas tinha razão, se eu posso usá-las no Taikô sem me sentir deslocada, acho que posso usá-las em qualquer lugar. Fora a brincadeira, apesar da imponência que a decoração impecável (um luxo, sem cair no brega) confere ao restaurante, o ambiente é muito aconchegante e o atendimento muito bom. Aliás, serviu para me questionar sobre certos lugares nos quais eu sou mal atendida e falo aqui, já que tinha lido um post em um blog do ClicRBS falando muito mal de lá. Com isso, decidi revisitar os lugares que eu falei "não muito bem", pra pelo menos tentar ser um pouco mais justa. A Cervejaria Original, por exemplo, vai entrar no meu roteiro do Bar em Bar.

Voltando ao Taikô, pedimos para o garçom trazer o prato do Bar em Bar e dois choppes. A surpresa da noite foi que eu tive que explicar pra ele do que se tratava o evento, qual era o prato e como funcionava a dinâmica do Amigos do Copo. Não sei se aqui a culpa é da Abrasel ou dos donos dos estabelecimentos, mas espera-se o mínimo de divulgação e valorização do evento, já que propõem a fazê-lo. O garçom, claro, não tem obrigação de adivinhar, mas é quem fica com cara de tacho na hora do atendimento.

Passado o contratempo, nos deliciamos com o Choppe Brahma enquanto o prato não chegava – curioso ser Chopp Brahma do lado do Chopp da Brahma, vocês não acham? Fiquei pensando se isso não é uma atitude meio suicida (ou homicida), já que os dois ficam um do ladinho do outro.

Bom, a “porção generosa”, segundo eles mesmos, chegou. E realmente não dá pra dizer que duas pessoas passam fome, é muito bem servida para os R$ 26 cobrados e pela delícia que é. Vamos combinar que mignon e gorgonzola não tem muita chance de dar errado. Como eu falei pra Cora, imaginei que a receita era bastante simples, e confirmei no dia seguinte, quando o caderno de Gastronomia do Diário Catarinense trouxe o prato e a receita estampados na matéria "Vai um petisco?", que falava sobre o evento. Abaixo vocês podem conferir e tentar reproduzir em casa, garanto que vale muito a pena.


Iscas de mignon com gorgonzola - matéria publicada no DC em 6/11/09

O pãozinho que acompanha também é muito gostoso, segundo eles, exclusivo da casa.
Depois do prato, alguns choppes mais e a conta: R$ 30 pra cada e a vontade de voltar pra conferir o camarão empanado com coco, sugestão do simpaticíssimo garçom, que na saída já trajava o avental do Bar em Bar e tinha sido devidamente instruído sobre o evento.

Próximo post: Bacalhau ao molho Imperial do Boteco da Ilha.

Preço: $$$
Atendimento: ☺☺☺☺
Ruído/Música: ♫♫♫♫♫ (não comentei no corpo do post, mas as músicas eram muito boas, bem chill out)
Momosidade (casal): ♥♥♥
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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Churrasquim e choppim

Foi dada a largada. Ok, sei que não fui das mais rápidas pra começar a escrever, mas é só uma questão de pegar no tranco. Com o verão aí, e essas noites deliciosas, nada melhor que um choppinho e...uma correria de espetinhos no Churrasquim. Muita gente pode não conhecer o lugar ainda, abriu há pouco, mas sugiro que vá conferir. Eu também nunca tinha ido nesse muitíssimo simpático bar/restaurante que fica ali pertinho do Shopping Beiramar, entre a Sanduicheria da Ilha (que também tá na brincadeira do Bar em Bar) e a Yaah Temakeria.

Mas vamos aos espetinhos e ao festival. Chegamos eu e o Geison por volta das 21h da terça-feira e o movimento era considerável. A decoração e todo o visual do lugar, desde cardápio, papel de parede etc., me chamaram a atenção logo de cara. É difícil ver por aqui coisas simples e de bom gosto, sem toda aquela afetação. A segunda coisa a chamar a atenção foi a simpatia da moça da recepção e do garçom, o Fernando, que nos guiou até uma das mesas que fica do lado de fora.

Como o tempo joga contra em um festival com 16 lugares a serem visitados em apenas 30 dias, resolvemos ser objetivos e pedir o prato do festival. Foi aí que o Fernando nos explicou a promoção “Amigos de Copo”, que faz parte do Bar em Bar. Funciona assim: paga-se R$ 15 por um copo de 300 ml personalizado do evento, e ganha-se o direito a dez fichas de chopp ou cerveja, dependendo do que o estabelecimento oferece. A boa notícia é que as fichas podem ser usadas em qualquer um dos 16 bares, a má é que só pode ser trocada uma ficha por incursão. A segunda má notícia é que agora eu tenho que ficar pra cima e pra baixo com um copo na bolsa. Vamos combinar que a Abrasel podia ter bolado um negócio mais prático, tipo um copo simbólico menor e que deixasse em cada estabelecimento um personalizado do festival, com o mesmo volume de bebida. Enfim...o copo agora é literalmente meu parceiro inseparável.

Depois de comprado o copo, fiz valer o meu chopp Brahma da noite, que fica ainda mais gostoso nesses dias de calor e, principalmente, quando está na temperatura certa, como de fato aconteceu. Optamos por pedir dois espetinhos: um de carne, alho e pimenta (R$ 4,60 – 120g cada) e um de batata com catupiry e bacon (R$ 3,90). Os espetinhos estavam deliciosos e os “periféricos” melhores ainda: vinagrete gostoso, sem todo aquele vinagre que a gente está acostumado a aturar, com um gostinho ótimo de azeite de oliva; chimichurri (um molhinho concentrado de ervas e temperos, com alecrim, orégano, pimenta etc. O chimichurri sempre varia muito de lugar pra lugar e o de lá estava ótimo); maionese (quem me conhece pode estranhar que eu fale bem de maionese, mas essa é uma exceção. Nunca como, não gosto, me dá arrepios de pensar.
Mas quando vi ela pousar na mesa achei igualzinha à da Sanduicheria da Ilha, que tinha comido uma vez e é de se deliciar. Segundo o garçom, temperada com mostarda e cheiro verde); e, finalmente, uma farofinha que era meia boca perto do resto. Como farofa eu como em casa, estava ótimo.

Os espetinhos: o de carne estava muito bom, com a pimenta bem pronunciada, mas sem aquele ardido que incomoda. Pimenta tem que ser saborosa e não incendiar a boca e essa cumpriu muito bem a função. Mas o grande troféu espetinho da noite vai, curiosamente, para o segundo, que vinha com aquelas batatinhas com casca (tem algum nome específico pra elas?), com o bacon enroladinho e o catupiry por cima. Sensacional, peçam esse por favor se vocês forem lá e depois me contem se é história de alguém viciada em bacon ou realmente é tudo isso.


Copo personalizado metade cheio e espetinhos de carne e de batata. Foto tirada pelo celular, os amadores esqueceram a câmera

A fome ainda não tinha sido saciada e eu queria pedir mais sabores pra contar pra vocês. Então mandamos ver em um outro de coração de frango (R$ 4,60), que estava bem sequinho e gostoso – pior coisa é coraçãozinho mal assado, esse estava no ponto. A quarta pedida da noite foi o espetinho de chicho (carne, pimentão, cebola, tomate e linguiça). De todos foi o que eu menos gostei, porque a cebola estava muito ácida e roubava o sabor dos outros ingredientes. Mas foi completamente perdoável.
Encerramos a noite com mais dois choppes e a conta de R$ 23,67 para cada, torcendo para que os outros bares estejam à altura.

Não contem pra ninguém, mas posso adiantar que o Taikô, onde fui ontem, não ficou pra trás. Não percam os próximos capítulos e se virem alguma maluca por aí com um copo na mão, chamem pelo nome, puxem um banco e peçam pra descer um choppe com um prato Bar em Bar!

P.S: tô preparando um mapinha com todos os bares do evento, por enquanto vai o do Churrasquim aqui no post.

Preço: $$$
Atendimento: ☺☺☺☺
Ruído/Música: juro que eu não lembro
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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Depende do Ponto de Vista

Se existe alguma coisa que ainda me convence a ficar mais um pouco em Florianópolis é a possibilidade de enxergar cartões postais pela janela de casa, do ônibus, do trabalho, ou melhor, de um restaurante. Juro que eu não vou fazer mais trocadilhos infames com o Ponto de Vista, como o do título. Apesar de ser de noite, nada tira o charme da Lagoa da Conceição, principalmente quando se está bem acompanhado e com uma música excelente de fundo.

A música é o gancho pro primeiro conselho da noite: se esse post fizer você ficar com vontade de conferir o Ponto de Vista, faça isso em uma quarta-feira, dia em que a Rosa Martha canta e o Marcos Parucker toca no teclado lindas músicas francesas. Vale muito a pena. Tanto que eu desconfio que o movimento da noite, em grande parte (sem desmerecer o restante), era por conta dos dois, que arrancavam aplausos das mesas.

Quem é de Floripa já deve ter passado alguma vez nesse mirante, que fica logo depois da Galheta, em direção à Barra, à esquerda. Além do restaurante, funcionam ali também umas lojinhas de artesanato e roupas durante o dia. Mas o objetivo era mesmo comer, então deixamos o carro no amplo estacionamento que tem ali, sob a vigília de um funcionário e rumamos pro restaurante. Apesar da chuva, estava cheio, como eu disse antes, mas não a ponto de incomodar. Pegamos uma mesa na janela, com um bom ponto de vista (ok,não resisti...), ao som da linda voz da Rosa Martha. A luz muito baixa me incomoda um pouco, mas o Geison gostou, então talvez seja rabugentice minha.


Salão interno

Eu, como sempre, já tinha dado uma consultada no site e estava a par do cardápio e também dos preços, que eles disponibilizam (!). Pra iniciar os trabalhos, pedi um coquetel Vista da Lagoa (R$ 8), que levava Martini Bianco, Cointreau, pêssego e laranja e o Geison foi de Chopp Weisenbier da Eisenbahn (R$ 4,80 / 300ml). O coquetel era saboroso, começando com o gostinho da laranja e o pêssego se pronunciando só no finzinho, mas pra mim estava muito doce e eu acabei enjoando antes da metade.

Pra entrada, resolvemos pedir bolinhos de salmão com gengibre (essa opção não tem no cardápio online), que saiu R$ 12 por seis unidades. A expectativa foi maior que o sabor. Pra fazer a massa do bolinho frito o salmão teve que ser processado (não sei se é exatemente esse o termo) e o sabor se perdeu no meio. O gengibre então, só vi sinal na última mordida. É claro que ele não podia roubar a cena, mas você espera sentir um gostinho de gengibre num bolinho de salmão com...gengibre.


Coquetel Vista da Lagoa e bolinho de salmão com gengibre (pelo menos teoricamente)

A fome não era muita depois dos bolinhos, então chamamos o garçom (atendimento regular, não se pode reclamar nem elogiar) para pedir pra dividir uma porção individual de Congro Rosa com Camarão e Champignon (R$ 49,50). O filé era recheado com molho de manteiga, champingnon, camarão e vinho Chardonnay, e acompanhavam arroz e batata sautée. O molho estava excelente, com os camarões puxados na manteiga, no ponto certo, nem emborrachados, nem crus, acompanhados de uma das melhores invenções do Reino Fungi: o champignon.


Congro Rosa (escondido) com Camarão e Champignon

Achei que o peixe ficou um pouco apagado no meio de tantos sabores, mas quero acreditar que foi intencional. O meu critério aqui é parecido com o que pensa o chef Mario Batali, do italiano Babbo, de NY: se o prato principal é a massa (no caso, o congro), não deixe que ela perca espaço pro molho, afinal ela é a grande estrela. Li isso no excelente livro “Calor”, do jornalista e crítico Bill Buford, uma leitura gostosíssima sobre a incursão dele no universo da comida italiana, que eu recomendo muito.

Deixando o devaneio italiano pra lá, mas ali do ladinho da França, pelo menos no repertório musical, nos despedimos do Ponto de Vista, satisfeitos com a apresentação, mas achando o preço um pouco mais salgado que o congro.

*a foto do salão foi kibada do site e as dos pratos feitas pelo Geison Werner

Preço: $$$$
Atendimento: ☺☺☺
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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Conversa de botequim e feijoada no Canto do Noel

Já ouvi muita gente falar que o Canto do Noel é um pedacinho do Rio perdido em Florianópolis. Nunca fui ao Rio, mas se for verdade, quero morar lá quando eu crescer. A Travessa Ratcliff desperta em mim, uma dessas relações de amor incondicional que você acaba tendo por alguns lugares. Talvez isso influencie muito do meu post sobre a feijoada de lá, mas se servir pra fazer alguém ficar curioso e ir conhecer, já valeu a pena. Espero que vocês concordem comigo.

O Canto do Noel (uma homenagem ao sambista, não ao bom velhinho) é um dos três botecos da Travessa, cenário de muita coisa boa que já rolou por aqui. Luiz Henrique Rosa, Liza Minelli e Zininho eram alguns dos ilustres freqüentadores do antigo Petit, e quem vai lá pode conferir as figuras nos retratos pendurados pela parede. Como a ideia aqui não é falar da história do lugar, sugiro que vocês leiam o post do João Carlos, “presidente” da Travessa.

Já fazia algum tempo que o Vitor tinha me falado da tal feijoada, mas como a correria é grande e o tempo é curto, fomos adiando a nossa incursão diurna ao Noel. O dia é longo na Travessa. O Noel abre às 8h e só fecha às 23h, de segunda à sexta e no sábado abre no mesmo horário e fecha às 16h. Minhas idas normalmente são à noite, pra tomar uma cervejinha e comer uma isca de peixe, acompanhadas de um bom papo. A cerveja e o bom papo eu não dispensei, mas o prato e o horário mudaram.


Depois de passada uma semana inteira sem ver um raio de sol, fazia uma sexta-feira linda e o Vitor já me esperava em uma das mesas que ficam no calçadão, do lado de fora. Animados pelo sol e levando em conta que Travessa não é Travessa sem cerveja, pedimos pro seu Hamilton trazer uma Antarctica gelada (R$ 3,75) e já agilizar uma feijoada pra dois (R$ 14). No Noel sempre tem alguma música boa rolando. Juro que eu não lembro qual era a desse dia, mas na segunda seguinte, quando fui com o Daniel, outro freqüentador assíduo, numa das idas noturnas, rolava um João Gilberto, figura mais assídua ainda por lá.





Como à noite as pessoas mais bebem do que comem, não tinha idéia do tanto de gente que almoça por lá. O cardápio tem desde chuleta, até peixe, dobradinha ou feijoada. A nossa não demorou nada pra chegar, mas antes, o seu Hamilton trouxe um pratinho de salada pra abrir o apetite: tomate, repolho e cenoura. Logo em seguida, a feijoada, acompanhada de arroz e farofa (do tipo Yoki, uma das melhores invenções da cozinha prática, na minha opinião, ao lado do miojo e do atum em lata). Alerto aqui mais uma vez pra questão do custo / benefício. Devo reconhecer que não foi a melhor feijoada da vida, mas talvez seja a melhor que eu posso comer a 7 mangos em Floripa. Bem temperada, sal correto, linguicinha saborosa, mas sem aquele corpo que a feijoada tem que ter. Os outros tipos de carne não comi, confesso que eu tenho uma certa resistência, e me coloco no grupo dos que aprova a feijoada com os vários tipos de carne separadas. Sobre isso, aliás, vale a leitura da seção “Gosto de discute”, da edição nº 1 da Revista Gosto, fundada pelo povo que debandou da Gula. A seção mostra duas opiniões antagônicas sobre determinado tema, e essa é sobre a feijoada: “Em defesa da feijoada original”, por Jacques Trefois e “A favor do apartheid culinário”, por Braulio Pasmanik.

Pra acompanhar a conversa de botequim, outra Antarctica e a sobremesa: gelatina no copinho descartável. Simples e bom, como a Travessa.

Preço: $
Atendimento: ☺☺☺☺☺
Música: ♫♫♫♫♫
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http://maps.google.com.br/maps/ms?hl=pt-BR&ie=UTF8&msa=0&ll=-27.595897,-48.548284&spn=0.007378,0.013626&z=16&msid=106520131690139737918.000475b56ff18700cccf0&iwloc=000475b574299298fbf6b

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Festival no Sushi Roots

Não, ainda não desisti do blog, estava apenas apanhando pros prometidos ícones. O placar por enquanto é 10 x 0 pra eles, então vou postar os provisórios aqui, só pra não furar a promessa. Obrigada pra quem comentou, elogiou, criticou, aqui pelo blog e por outros meios, e também pra quem deu boas sugestões pra melhorar. E por falar em críticas, vou atender alguém (não lembro quem), que esses dias soltou um “mas você não vai falar de nenhum sushi?”. Aí vai, com a ressalva de que, apesar de adorar, não sou nenhuma especialista. Aliás, diz o Luiz Américo (o mesmo que falei no último post) que só por aqui as pessoas se metem a falar de todas as cozinhas. Nos EUA, por exemplo, há especialistas em cozinha mexicana, japonesa, chinesa...bom, enquanto eu não decido por nenhuma, dou pitaco em todas. Lá vai!

O lugar da vez se chama Sushi Roots. Ao contrário das expectativas criadas pelo nome, nada de sushiman com dreadlocks ou cannabis em vez de algas nori. A noite era de comemoração, aniversário da Corinha, que de antemão já me passou o site do restaurante, pra eu me inteirar do lugar, da comida, da localização. Sim, da localização. O conselho é: compre um GPS antes de se aventurar a procurar o Sushi Roots numa noite deserta de inverno na Barra da Lagoa – ou, simplesmente, vá com alguém com um senso de localização mais apurado que o meu. E peça ajuda ao Google Maps (ta aí embaixo).

Depois de dar a volta à ilha a procura do restaurante e encontrar as meninas nos esperando, veio a segunda lição do dia. Nada de chegar às 21h da noite e querer sentar, o negócio é chegar cedo, porque o lugar é bem pequeno e lota, principalmente nos dias do festival do sushi, às segundas e quintas. Aquela era uma quinta-feira, ou em outras palavras: morra comendo por R$ 32 se você for mulher, ou por R$ 42 se não tiver nascido com a mesma sorte. Ok, também acho uma desproporção a diferença de preços, mas juro que eu não reclamei.

Antes do combate, eu e o Geison resolvemos apostar de cara na sakerinha de morango (R$ 8), que estava deliciosa, suave, doce no ponto, geladinha. Pra abrir o apetite, emendamos numa longneck de Heineken (R$ 4,50), antes de partir pro abraço. Eles distribuem comandas com todas as opções de uramakis, temakis, hots, sashimis, nigiris (esqueci alguma coisa?), a pessoa escolhe o quê e quanto quer e espera essa bandeja colorida e apetitosa pousar na mesa. Se a pessoa, no caso, for eu, afoga no shoyu, se atrapalha com os hashis, e manda ver.


Dia de festival


Os sushimen


O que interessa

*Obs: fotos do site

Resumo da ópera: para uma leiga como eu, estava ótimo, com base principalmente na comparação com os outros sushis aqui de Floripa. O custo / benefício é um dos melhores também comparativamente, se a ideia for se acabar comendo. De quebra, se o programa for de dia, dá pra aproveitar a vista linda da Lagoa. O lugar fica junto de uma marina, então dá pra ir até o deck e, no verão, arriscar pegar uma micose molhando os pezinhos. O atendimento também não decepcionou, foi até bastante eficiente, já que a casa estava cheia.

Enfim, se tiver um GPS, chegar cedo, se dispuser a comer muito e desembolsar cerca de 40 mangos, esse é o lugar.

Vai aí então o sistema de ícones versão meia-boca, por enquanto, chupinhado da ideia do Duda, usando uma escala de zero a cinco:

Preço: $$$
Atendimento: ☺☺☺☺
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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

O Café del Sur e o custo - benefício

Café Del Sur foi o lugar escolhido pelas meninas para mais uma noite de orgia gastronômica / alcoólica. Já tinha passado em frente algumas vezes, e até tomado um suquinho de kino no Kamu Kamu, que fica no mesmo prédio, no começo do Córrego Grande. Mas o suco de kino é outra história, a glutonice de hoje fica por conta do rodízio de massas que fomos encarar na noite fria e chuvosa de ontem.

O que pesou na decisão, pelo menos pra mim, foi o custo-benefício do Café del Sur. A promessa era a de comer massa até dizer chega, por 12 reais. Lá fomos as quatro, eu, Talita, Priscila e Solange, conhecer esse pequeninho e aconchegante café / restaurante / bar. A casa traz no cardápio algumas especialidades portenhas, entre bebidas e comidas, acompanhadas (com um volume que podia ser menos alto) por um baixista que manda muito bem num repertório em que predomina jazz, mas que me ganhou quando tocou “Incompatibilidade de Gênios”, do João Bosco e do Aldir Blanc.

Voltando à mesa, como quem venceu na noite foi o bolso, a opção foi mesmo o rodízio. Funciona assim: recebemos várias comandas, com quatro tipos de massa (espaguete, talharim, penne e rigatone) para combinar com uma – ou até duas, pra quem arriscar misturar – das opções de molho (sugo, bolonhesa, amatriciana, pesto genovês, fungi secchi, quatro queijos, gorgonzola com castanha e carbonara). Vou falar aqui das minhas opções, que foram as que eu provei e é o que a memória permite lembrar depois de uma garrafa de Salton Classic Merlot (R$ 22) e outra de Callia (fico devendo a uva), segundo a atenciosa atendente “infinitamente melhor”, e pela qual pagamos os mesmos R$ 22, já que o Salton tinha acabado e ela abateu a diferença.

Pedidos feitos, passaram-se uns dez minutos até a chegada do meu talharim à carbonara, a melhor das três opções que eu fiz na noite. O molho estava com o tempero correto, o sal na medida, e o conjunto só pecou no que pra mim foi geral nos três pratos provados, (um aspecto que eu já falei aqui em outros posts, de outros lugares): tempo demais na panela. Fora isso, achei o prato bem equilibrado, sem carregar no sal, geralmente um problema nas preparações que levam bacon.

Enquanto eu me deliciava com o macarrão, com o vinho e com o papo, já era hora de fazer o próximo pedido, pro cozinheiro não perder o pique. A opção foi pelo penne ao pesto genovês (manjericão, azeite, queijo, alho e castanha), que também estava muito bom. A Talita reclamou que no dela, que ela pediu misturado com quatro queijos, não veio a castanha, que pra mim é o que faz toda a diferença e dá um sabor e crocância especiais. Talvez não tenha vindo porque ela pediu os molhos combinados.

Já partindo pra gula e pra outra garrafa, decidimos ir para o terceiro round. Dessa vez foi o simpaticíssimo cozinheiro que veio anotar os pedidos pessoalmente. Talita e eu optamos por dividir um espaguete de gorgonzola com castanha, porque era impossível comer um inteiro. Aliás, a dica é pedir meias porções sempre, pra ter a oportunidade de provar mais sabores, já que os pratos são bem generosos. Chegado o macarrão derradeiro, não sei se foi minha barriga já cheia, meu paladar alterado por tantos sabores ou o vinho fazendo efeito, não consegui sentir o gosto do gorgonzola. Mas registro aqui que provavelmente a culpa foi minha, e não do prato, já que a Talita (louca por gorgonzola) aprovou.

Alguns minutos pra digerir o exagero, sempre regado a goles de vinho, resolvemos encerrar a conta e a noite: R$ 31,30 pra cada, contabilizados o rodízio, as duas garrafas de vinho e uma de água mineral. Garantiram a segunda visita pelo excelente atendimento, pela boa comida, pela ótima música, combinação que resulta em um dos melhores custos-benefícios que vi por Floripa.


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